Especialista em Saúde Mental fala como superar a perda de um ente querido

Sandra Midori Kuwahara Sasaki é Psicóloga Clínica com especialização em Saúde Mental e Qualidade de Vida (Universidade Federal de São Paulo), e Mestre em Ciências (Universidade Federal de São Paulo).

Sandra Midori Kuwahara Sasaki é Psicóloga Clínica com especialização em Saúde Mental e Qualidade de Vida (Universidade Federal de São Paulo), e Mestre em Ciências (Universidade Federal de São Paulo).

Elaborar o luto de alguém muito querido sempre foi uma tarefa difícil, mas infelizmente, a morte é a nossa única certeza.

Percebo, depois de muitos anos trabalhando nas aéreas clínica e hospitalar, que não há uma fórmula única de elaboração do luto.

Cada pessoa tem seu modo e seu tempo de elaborar essa dor. Mas, o que fica claro é que é melhor falar sobre ela, do que camuflá‐la. Há pessoas que relatam um vazio profundo após a perda do ente querido. Muitas vezes elas mergulham neste vazio, perdendo‐se num buraco sem fim, entrando em depressão. Outras acabam evitando olhar para este vazio, fugindo e encobrindo estes sentimentos, gerando muitas vezes medos e ansiedade. Mas olhar o vazio é essencial para tentarmos entender o tamanho deste sofrimento.

 É interessante perceber o quanto o tema da morte pode gerar crises em nossa própria existência; pensar em nossa finitude nos faz refletir sobre o tipo de qualidade de vida que estamos desenvolvendo.

 A maior expert em luto, a psiquiatra suíça Elisabeth Kubler-Ross faz uma analogia interessante sobre estas questões. Ela diz que nosso corpo é como um casulo, que com o tempo não comporta mais o que chamamos de vida. Daí a alma sai dele, como uma borboleta, e voa em direção a eternidade. Kubler-Ross trabalhou muitos anos com pacientes terminais, e percebeu que, independente da idade da pessoa, o mais interessante é o indivíduo tentar encontrar um sentido para a própria vida.

 Pensando assim, quando um bebê ou uma criança morrem, apesar do choque inicial, podemos tentar encontrar um significado para tudo isso, e muitas vezes nos mobilizar para sermos seres humanos melhores. Por isso é importante que pacientes, familiares e amigos compreendam que a morte pode ter um sentido simbólico transformador, dentro e fora de nós mesmos.

 Costumo dizer aos meus clientes que passam por perdas dolorosas que escrevam e falem sobre essa dor. Cartas de despedida, filmes, orações e rituais religiosos podem ajudar em todo o processo. Refletir sobre o que estamos fazendo em nossa própria vida também é um exercício importante para tentarmos chegar no final de nossa existência sem tantos arrependimentos, e libertarmo‐nos do casulo simbólico.

Não espere o momento em que desejará dar uma última olhada no oceano, no céu, nas estrelas ou nas pessoas queridas. Vá agora.   (Elisabeth Kubler-­‐Ross)