Artistas falam de velhice em novo livro da psicóloga Maria Célia de Abreu

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Maria Celia de Abreu é paulista e tem 73 anos. Faz parte da primeira turma de Psicologia da Faculdade São Bento, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), de 1968. Na mesma universidade, concluiu mestrado e doutorado em Psicologia da Educação. Como professora na PUC-SP, esteve envolvida com planos pioneiros, como a criação do Laboratório de Psicologia Experimental e do Serviço de Apoio Pedagógico ao Professor Universitário (Sedape), e a implantação do projeto do Ciclo Básico de Ciências Humanas e Educação. Psicoterapeuta, atendeu em clínica particular por quase 30 anos. Fundou e coordena até hoje o Ideac – cujo foco principal, desde 1992, é a psicologia do envelhecimento.

O novo livro da psicóloga Maria Célia de Abreu- Velhice – Uma Nova Paisagem, que estará sendo lançado hoje à noite (13/3) na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo, traz duas vertentes que justificam sua leitura: depoimentos de famosos e um texto autoral de fácil leitura sobre as múltiplas faces do envelhecimento.

Famosos– A obra traz depoimentos de 19 pessoas- artistas e formadores de opinião – falando sobre o envelhecimento, o que é uma novidade em pessoas de destaque. A maioria evita o assunto e muitas celebridades- mesmo de idade avançada- agem como se não fossem idosas.

Não é o caso dos amigos da autora que colheu depoimentos das atrizes Aracy Balabanian e Eva Wilma, do médico Drauzio Varella, do psicoterapeuta Flávio Gikovate (falecido em 2016), da dramaturga Maria Adelaide Amaral, da antropóloga Mirian Goldenberg, do ator Edson Celulari e do professor Mario Sergio Cortella (prefaciador da obra), entre outros.

O autor de novelas Silvio de Abreu, com que Maria Célia é casada há 42 anos, também deu seu depoimento.

As palavras da bailarina, coreógrafa, professora e diretora artística do Ballet Stagium, Marika Gidali, que vai completar 80 anos no próximo mês, faz pensar sobre a importância de não parar nunca.

Em primeiro lugar, não tenho ideia do que é envelhecer. Nunca tive tempo de avaliar os anos que passaram praticamente sem que eu percebesse. Vejo agora que tenho de me parabenizar pela caminhada plena, cheia de realizações, desafios, acerto e erros – mas, sobretudo, muito amor. Sou agora bem diferente do começo da minha caminhada, menos radical. O que vier daqui para frente é tudo de bom. Já ouvi que a vida é um ensaio geral; acho que estou prontinha para a estreia, disse Marika.

Sentimentos e Valores– O livro é de fácil leitura, texto bem escrito e claro, com letras grandes. Fala das questões da Memória, da Sexualidade na Velhice. Do Corpo do Velho, de Depressão e Tristeza, de Perdas e Lutos e da importância de as pessoas reformularem os sentimentos e valores em relação aos velhos.

Durante o livro, Maria Célia de Abreu, que também é coordenadora do Ideac- Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Cientifico- uma empresa que promove cursos e atividades dirigido para idosos, sugere alguns exercícios. Neles, a autora coloca o leitor diante das suas percepções do envelhecimento e das possibilidades de revisão de conceitos sobre os velhos.

Na conversa com o Jornal da 3ª Idade, Maria Célia de Abreu falou do comportamento da sociedade em relação ao envelhecimento, das novas formas de representação dos idosos e do porquê de escrever esse livro.

pocket_strip_80780_0_webA obra foi escrita para todos os públicos que se interessam sobre o assunto, mas logo no começo ela faz um alerta especial para os jovens:

Jovem, é muito provável que você fique velho; é muito provável também que você trabalhe com velhos e para velhos. Convém repensar seus sentimentos em relação ao velho e à velhice, bem como os valores atribuídos a eles. É preciso se informar sobre esse segmento da população, ainda tão desconhecido. (na pag.29)

Numa rápida conversa com o Jornal da 3ª Idade, Maria Célia de Abreu destacou a importância do momento atual, semelhante ao processo vivido pelo movimento de mulheres nos últimos anos.

Nos últimos 20 anos o movimento de mulheres trabalhou muito para quebrar preconceitos. Embora ainda exista muita a coisa a ser feita, hoje temos homens assumindo papeis antes considerados femininos e a mulher conquistando mais espaço. Com a questão do envelhecimento o processo caminha da mesma forma. Hoje temos vários serviços, empresas, cursos voltados para os idosos. Avançamos, mas as pessoas ainda têm preconceito com a imagem dos velhos. É para falar também disso que esse livro foi feito, disse a autora.

Lançamento: 13 de março de 2017

Local: Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, 2073

Título: Velhice – Uma nova paisagem
Autora: Maria Celia de Abreu
Editora: Ágora
Páginas: 200
Preço: R$ 61,70 (e-book: R$ 39,30)