Morreu Milos Forman, um dos mais premiados diretores de cinema, aos 86 anos

O diretor de cinema Milos Forman, um dos mais premiados do cinema moderno. Foto:Petr Novák, Wikipedia.

O cineasta Milos Forman de 86 anos, que dirigiu filmes famosos como “Um Estranho no Ninho” e “Amadeus” Hair, “Na época do Ragtime”, e “O povo contra Larry Flint” morreu na madrugada deste sábado de hoje, nos Estados Unidos.

Forman nasceu na Checoslováquia, numa região que antes da guerra era chamada de Boêmia Central. Seus pais eram morreram em campos de concentração.

Ele contou na sua biografia que só entendeu a devastação ocorrida na sua vida quando viu imagens dos campos de concentração, quando tinha 16 anos. Ele foi casado três vezes e deixou quatro filhos, todos atores de teatro.

Ele morreu na cidade de Connecticut, nos EUA, cercado pela família. Ele vivia na cidade desde o final dos anos 70, quando sai de Praga, capital Tcheca, perseguido pelos russos, quando foi contra o movimento comunista da “Primavera de Praga”.

Numa entrevista ao jornal brasileiro O Globo, em 2014 ele mostrou seu desapontamento com o cinema atual e declarou sua aposentadoria.

Para fazer um filme, você precisa de tempo para entender o que ele representa, como narrativa, como linguagem, como gesto político. Não tenho mais esse tempo. Estou velho. Não houve problemas com Hollywood, até porque, nos EUA, onde vivo como cidadão naturalizado americano, ninguém jamais será tratado como artista excluído se tiver ideias minimamente rentáveis, por mais polêmicas que sejam. A questão comigo hoje é mais do que cansaço. É a sensação de que não há mais interesse pela verdade individual. Ninguém mais quer se debruçar sobre o ponto de vista de um autor e dissecar seus sentimentos. E cinema para mim é compartilhar verdades minhas e trocá-las pelas verdades dos outros, a verdade do espectador, do crítico.