Cortes da Prefeitura na Assistência Social devem impedir São Paulo ganhar o selo de Cidade Amiga do Idoso

A coordenadora do Fórum de Assistência Social Regina Paixão e a presidente do GCMI- Marly Feitosa falando na Comissão do Idoso da Cãmara Municipal de São Paulo. Foto: jornal3idade.com.br
Comissão do Idoso da Cãmara Municipal de São Paulo debatendo os cortes da Prefeitura na Assistência Social. Foto: jornal3idade.com.br

A Prefeitura de São Paulo quer dar amplo apoio aos idosos. Temos 1, 4 milhão de idosos em São Paulo. Tudo o que for feito em saúde, acessibilidade e outros itens para eles, será exemplo para todas as cidades do Estado e do Brasil, disse o então prefeito João Dória, na sede da Prefeitura de São Paulo, no dia 18 de dezembro de 2017, quando assinou o termo de adesão ao programa estadual São Paulo Amigo do Idoso.

Dezessete meses depois, os cortes que o atual Prefeito Bruno Covas está impondo aos serviços da Assistência Social está colocando em risco esse compromisso ao obrigar que parte do atendimento que é feito para idosos na cidade seja cortado pela metade.

O alerta foi dado ontem, pela presidente do GCMI- Grande Conselho Municipal do idoso, Marly Feitosa na reunião da Comissão Extraordinária Permanente do Idoso e de Assistência Social, da Câmara Municipal de São Paulo. Essa comissão é composta por seis vereadores; Gilberto Nascimento Jr, Rute Costa, Fábio Riva, Atílio Francisco, Isac Félix e Alfredinho.

A coordenadora do Fórum de Assistência Social Regina Paixão e a presidente do GCMI- Marly Feitosa falando na Comissão do Idoso da Cãmara Municipal de São Paulo. Foto: jornal3idade.com.br

A professora Marly lembrou que a entrada de São Paulo na programação estadual foi tranquila, porque os requisitos básicos para a cidade pudesse ser  contemplada com o selo inicial já existiam, como ter um conselho do idoso e outros critérios de atendimento aos idosos necessários. No entanto. para conseguir o selo intermediário será difícil diante das limitações e retrocessos que o segmento idoso está sofrendo com os atuais cortes nos atendimentos.

Todos os dias a gente lê publicações do IBGE e da Fundação Seade falando dos números do crescimento da população idosa. Então a gente estava deitado em berço esplêndido, acreditando que as iniciativas eram todas caminhando para a ampliação dos serviços, que hoje já são poucos. A maior parte de nós do Conselho é usuária dos serviços, principalmente da Convivência e não temos como aceitar esse retrocesso. As ONGS estão tendo que se virar. Se um serviço tem como meta atender 200 idosos e ele atende num dia 193 é considerado ineficiente. Então muitos estão chamando mais do que comportam, para tentar manter o nível da meta. Só que se num dia aparecem mais de 200 é a ONG que paga o lanche e os demais materiais. E o que não falta é idoso para ser atendido, disse a presidente do GCMI.

Com a ausência do presidente vereador Gilberto Nascimento Jr que está em Brasília acompanhando a Ministra Damares, em reuniões, o encontro foi presidido pela vice-presidente da Comissão, Vereadora Rute Costa que foi enfaticamente cobrada pela plateia sobre a necessidade dos vereadores dessa Comissão do Idoso tomarem uma posição frente a Secretaria Municipal de Assistência Social, que tem passado informações desencontradas para as associações terceirizadas, que prestam atendimento aos idosos em diferentes serviços.

A coordenadora do Fórum de Assistência Social Regina Paixão, que tem liderado o movimento que pede a revogação do Decreto Municipal 58.636, publicado em 21 de fevereiro, foi a palestrante. Ela falou que hoje a cidade tem 1.265 serviços da Assistência Social que atendem 220 mil pessoas, entre crianças, adolescentes, idosos e moradores de rua, cada um com um cenário de diferente de atuação, que implica em forma diferenciada de acompanhamento e fiscalização.

Várias entidades conveniadas receberam o prazo de até a próxima sexta-feira dia 31 de maio para dispensarem de aulas e da participação de atividades 50% dos idosos que atendem. Ontem a tarde eles tinham um encontro marcado com o Secretário da Assistência Social, Cláudio Tucci Júnior, mas pela manhã todos ficaram sabendo que ele estava licenciado e que a Secretaria está temporariamente nas mãos do Secretário Adjunto Marcelo Costa Del Bosco Amaral.

Vários gerentes de diferentes entidades se sucederam ao microfone da reunião da Comissão do Idoso para explicar como funciona a dinâmica dos atendimentos e ressaltar que o pedido de todos é pela revogação do decreto.

A assistente social Aparecida Pereira Gomes Peruche, técnica responsável pelo NCI Leão XIII – Edith de Azevedo Marques, da Vila Maria Alta, na Zona Norte, da Capital, contou ontem que o sentimento da equipe é de desespero, por não saber como comunicar- a partir de 1º de junho, como manda o decreto -para 50% dos idosos que eles não poderão mais frequentar o serviço.

O NCI Leão XIII trabalhou nos últimos 13 meses, depois de retomar um período parado por falta de convênio, como a meta de atendimento de 200 idosos com 60 anos nas atividades presenciais diárias e mais 80 no domicílio, todos de baixa renda, com diversas oficinas como: Yoga, Dança de Salão, RPG, Pilates, Cantigas Populares, Artesanato, Rodas de Conversa, Teatro, Zumba, Memorização entre outras atividades.

Nós recebemos um aditamento da SMADS (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo) dizendo que temos que passar para 40 atendimentos em domicílio e somente 60 no presencial diário. O sofrimento da equipe é ter que dispensar idosos do atendimento. Temos pessoas que moram sozinhas e que precisam desse convívio diário para continuar inseridas na sociedade. Temos idosas que tinham depressão e que se curaram nas nossas oficinas pela integração que elas propoem. Temos pessoas que deixaram de fazer cirurgias já marcadas, pois o quadro de saúde mudou. Isso tudo pode se perder, lamentou Aparecida Peruche.