Entrevista: Vereador Gilberto Nascimento Jr, presidente da Comissão do Idoso CMSP

Vereador Gilberto Nascimento JR, no seu gabinete no Palácio Anchieta, com a foto da esposa e dos três filhos ao fundo. Foto: jornal3idade.com.br

O Vereador Gilberto Nascimento JR, ex- Secretário Estadual do Desenvolvimento Social, que está, há dois meses,  na presidência da Comissão Extraordinaria do Idoso, da Câmara Municipal de São Paulo, realiza mais uma reunião dela, hoje, às 11 horas, na Sala SérgioVieira de Melo, no 1º Subsolo, no Viaduto Javareí nº 100.

Desprestiagiada no momento, pela falta de atenção dedicada por outros vereadores que passaram por ela, que raramente permaneciam até o fim do encontro, desrespeitando os idosos, a Comissão do Idoso da Câmara na sua gestão promete ser dinamizada. Gilberto Nascimento quer apresentar casos exemplares do Interior de São Paulo e de outros Estados.

O Vereador, que está no seu primeiro mandado na cidade, diz que tem uma “raiz” na questão dos idosos, pela sua experiência no Estado e também por ser filho do deputado federal Gilberto Nacimento, criador da CIDOSO- Comissão do Idoso do Congresso Nacional.

Para saber mais das suas ideias, o Jornal da 3a Idade foi entrevistá-lo no seu gabinete, no Palácio Anchieta.

Jornal da 3a Idade– O senhor está há 2 meses a frente da Comissão Extraordinária do Idoso da Câmara Municipal , que no momento está desprestigiada com a falta de atenção que os últimos vereadores dedicaram a ela. O que o senhor pretende fazer na sua presidência?

Vereador Gilberto Nascimento JR– Eu entendo que por ser uma Comissão Extraordinária talvez não tivesse tanto interesse daqueles que estiveram a frente dela no passado. Diferente do meu caso porque eu já venho dessa raiz. Eu estive no Estado, como Secretário do Desenvolvimento Social, como Secretário de Justiça e também acompanho o trabalho do meu pai que presidiu e continua atuando na CIDOSO. O que os idosos podem esperar é fazer exatamente esse elo de ligação, que tem que ser a Câmara e que tem que ser o papel do Vereador.

Jornal da 3a Idade– O senhor concorda que falta comunicação entre o serviços e deles para com a população idosa da cidade?

Vereador Gilberto Nascimento JR–  Nós temos uma população idosa que depende dos serviços e eles são criados mas falta comunicação entre eles. São criados dentro de um gabinete, por entendimento de um professor de um técnico, mas e a prática? Esse é um erro que acontece em todas as gestões em todos os governos que esse distanciamento. Nós que fomos eleitos para representar a população, nós temos legitimidade para criar esse elo. Minha preocupação com essa Comissão não é ser polêmico, nem atrair a imprensa, mas fazer com que a necessidade da terceira idade e da Assistência Social seja compreendido pelo governo, pela Prefeitura.

Jornal da 3a Idade–  A população de idosos na cidade de São Paulo supera a de muitas Capitais com 1 milhão e 800 mil idosos, sem contar a população flutuante que passa pela cidade buscando serviços. Ela não precisa de uma atenção maior?

Vereador Gilberto Nascimento JR– A gente sabe que daqui pra frente esse número vai aumentar. Isso é fato. Independente de Comissão, eu defendo no meu mandato que temos que trabalhar em tudo com uma visão para daqui 20 anos. Então ao criar um projeto de lei eu penso se ele vai ser necessário daqui a 20 anos. Por isso meu foco são os idosos, pois eles vão aumentar e cada vez mais ativos. Então penso que se a preocupação for com mais esportes, mais atividades, mais culturais, não vamos ter atenção maior nas ILPIs.

Jornal da 3a Idade–  São Paulo acabou de fazer uma Conferência Municipal do Idoso -´que aliás não teve a visita de nenhum vereador da cidade- e o pedido de aumento de NCI- Núcleos de Convivência de Idosos nas regiões das Subprefeituras foi uma das maiores demandas. Por outro lado a Prefeitura está ordenando cortes que podem fechar NCI já existentes. A Prefeitura não está andando na contramão?

Vereador Gilberto Nascimento JR– A Prefeitura soltou o que eu chamo de “decreto padrão” que aparece a cada dois anos pedindo para corrigir e diminuir custos. Isso faz todo sentido quando você olha do lado da gestão. Existe uma previsão orçamentária e quando ela é frustrada tem que segurar e isso não é cortar o que já existe, mas não crescer como esperado.

Jornal da 3a Idade–  O que foi colocado na última reunião da Comissão Extraordinária em relação aos NCI é corte.

Vereador Gilberto Nascimento JR-  Na verdade quando a gente veio com o corte do Dória, antes, e agora com esse Decreto a gente vem para uma linha de corte sim. Eu fui atrás de algumas informações e fiquei sabendo que o custo que está tendo as entrevistas da Assistência Social para pessoas em situação de rua está completamente fora do padrão, muito além. Então existem pontos com gastos excessivos e em outros com dificuldade de fechar a conta. Essa é “uma briga” que eu destaquei quando chegou o decreto, mas infelizmente com esse vaivém de Secretários não se consegue definir isso. Não culpo o Bruno, porque é um decreto padrão. A grosso modo é interesse da Prefeitura reter gastos quando não se está arrecadando o que previa, mas o problema  está na falta de arrecadação.

Jornal da 3a Idade– No que a sua experiência de Secretário Estadual do Desenvolvimento Social, acompanhando as ações dos idosos pelo Interior pode trazer para sua atuação nessa Comissão? O fato das ações mais contundentes estarem numa única secretaria facilitou?

Vereador Gilberto Nascimento JR– É claro que as políticas públicas estando na mesma secretaria, na que efetua e naquela que pensa e elabora é o ideal. O entendimento deve ser do governo. Eu acho um equívoco manter separado. Sempre me causou estranheza pensar por um lugar e fazer gestão e pagar pelo outro.Esse é um perfil de mudança. Eu acredito que o plano para os idosos no município tem que ser bem claro. com meta claras, mas factíveis, que realmente possa ser executada.

Jornal da 3a Idade– O que está faltando para a cidade de São Paulo para melhorarmos o plano de trabalho para os idosos?

Vereador Gilberto Nascimento JR– De repente reformular um plano municipal e trazer novidades e casos positivos que existem no Brasil. Buscamos muitos exemplos de fora, quando aqui no país existem bons exemplos.

Jornal da 3a Idade– O senhor concorda que vai ser difícil a cidade continuar com o Projeto São Paulo Amigo do Idoso diante dos cortes estabelecidos?

Vereador Gilberto Nascimento JR– Neste momento, com o quadro atual, está difícil de alcançar. O primeiro selo foi fácil porque a cidade tem uma grande estrutura e não é difícil completar o diagnóstico. Agora começar a colocar em prática se não tiver um direcionamento, uma visão e uma vontade política de quem está na cadeira ficará difícil.

Jornal da 3a Idade– A questão da moradia é outra grande demanda dos idosos da cidade. A Prefeitura só mantém a Vila dos Idosos do Pari e não mais investiu nessa necessidade. O senhor como secretário estadual acompanhou a criação de novas Vila Dignidade, em cidades do Interior. Não é possível trazer esse modelo para a Capital e abrir novos serviços de moradia?

Vereador Gilberto Nascimento JR– Eu acompanhei várias unidades do Vila Dignidade no Interior. Eu tenho , até hoje, uma pimenta dada por um idoso que planta que é boa.Esse tipo de experiência tem que ser trazida para a Capital, mas a gente precisa de um direcionamento que esbarra naturalmente numa coisa que acontece em qualquer governo, de qualquer partido, que são as pessoas. Na hora que você tem uma coordenação trabalhando numa outra secretaria, com uma outra visão em que lá ele não é prioridade e onde você tinha que dar prioridade não tem a coordenação, as coisas não acontecem a contento. Eu aprendi com o Governador Alckmin que governar é decidir pelo que é mais urgente. Uma prefeitura que quer ter capacidade de gestão tem que pensar 20 anos a frente. E qual será o tema mais transversal de todos em duas décadas? Os idosos. Daqui a 20 anos serão mais e com demandas muito maiores, com muito mais pressão, se não tivermos tomado as medidas necessárias hoje.