Alessandro Penezzi fez o primeiro concerto da série 100 anos da Cripta da Sé

O violonista, compositor e arranjador. Alessandro Penezzi esquentou com sua bela apresentação a fria tarde do sábado 6 de julho e ofereceu boa música para as mais de 150 pessoas que enfrentaram os 9º graus que fazia no Centro da Capital, para assistir o primeiro concerto da série 100 anos da Cripta da Sé.

Vencedor (em parceria com Yamandu Costa) do prêmio de Melhor Disco Instrumental Brasileiro de 2018 no Prêmio da Música Brasileira e conhecido pelo seu vasto repertório, pela velocidade e precisão nas notas e por suas belas composições, Alessandro Penezzi interrompeu por volta das 17 horas, a sequência do programa para fazer uma homenagem a João Gilberto, cuja notícia do falecimento ele acabara de saber e que ainda era desconhecida da maioria presente.

Próximas apresentações – Até março de 2020, sempre aos sábados, às 16 horas,  será possível apreciar audições gratuitas, em espaços em outros locais de acesso restrito da Catedral (como as salas do piano e do coro). É preciso chegar com uma hora de antecedência para retirar o ingresso. No próximo sábado, 13 de julho, na sala do piano, será a vez do grupo Brazu Quintê se apresentar. Com peças autorais inspiradas na cultura brasileira regional. O grupo tem como marca uma inusitada união da formação de câmara com a guitarra.

Curiosidades sobre a Cripta

 A Cripta está a 7 metros de profundidade em relação à Praça da Sé. Foi projetada pelo alemão Maximilian Emil Hehl, professor de arquitetura e engenharia da Escola Politécnica.

Abriga 32 câmaras mortuárias, 18 delas ocupadas por personagens ligados à igreja e à cidade de São Paulo.

Seguindo a tradição das catedrais europeias, a Cripta da Catedral da Sé abriga personagens fundamentais da história da cidade. Os restos mortais do cacique Tibiriçá (considerado o primeiro cidadão paulistano) e do Regente Feijó (que governou o Brasil enquanto Dom Pedro II era criança) estão no local, em túmulos com esculturas em bronze (e em tamanho real) retratando passagens de suas vidas.

Possui duas destacadas esculturas de Jó e São Jerônimo, produzidas por Francisco Leopoldo e Silva em Roma. O artista foi colega de Brecheret, com quem estudou na Academia da França.

Tem um conjunto de 4 vitrais destacando elementos da flora e agricultura presentes no Brasil. Durante a construção da Catedral, os vitrais serviam de iluminação parcial à Cripta. Com a catedral pronta, foram cobertos pela própria catedral (e hoje são destacados por iluminação elétrica). Foram produzidos pela Casa Conrado, a mesma responsável pelos vitrais do Mercadão.

Os detalhes em metal da Cripta foram fundidos em bronze no Liceu de Artes e Ofícios.

Relevos produzidos por Ferdinando Frick destacam anjos com trombetas e uma ampulheta, remetendo as cenas do juízo final.

Entre os sepultados na cripta, está o frei Bartolomeu de Gusmão: considerado o inventor do balão. Nascido em São Vicente, viveu na Espanha no Século XVII, foi acusado de bruxaria pela inquisição e inspirou um dos personagens principais de José Saramago no livro Memorial do Convento.

O corpo de Santos Dumont ficou guardado na Cripta durante julho e dezembro de 1932, na revolução constitucionalista, até ser transportado em segurança para ser sepultado no Rio de Janeiro.

O mais recente sepultado na Cripta foi Dom Paulo Evaristo Arns, em 2016. O texto em latim diante de seu mausoléu descreve sua importância pela preservação dos pelos Direitos Humanos.