Ativistas do combate ao câncer de mama querem mais apoio de Líderes Políticas

A médica mastologista presidente da FEMAMA- Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama. Foto: jornal3idade.com.br
A médica mastologista, Maira Caleffi, presidente da FEMAMA- Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, que há alguns anos organiza eventos buscando sensibilizar as políticas brasileiras para se engajar na aprovação de leis que favoreçam a prevenção e tratamento do câncer. Foto: jornal3idade.com.br

Uma mobilização nacional para cobrar das parlamentares de todo o Brasil apoio na aprovação do  Projeto de Lei PLC 143/2018, que determina um prazo máximo de 30 dias no SUS – Sistema Único de Saúde – para a comprovação do diagnóstico de câncer, que está parado no plenário do Senado e manifestações junto aos MP – Ministérios Públicos Estaduais – pelo cumprimento dos prazos das leis já existentes foram algumas das propostas tiradas ontem na VIII Conferência Nacional de Lideranças Políticas Femininas, organizada pela FEMAMA – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, realizada ontem, em São Paulo.

Se depender do esforço das 30 ativistas do combate ao câncer de mama e das 50 políticas de 10 Estados  que estiveram presentes no encontro, algumas delas mastectomizadas, o Outubro Rosa de 2019 deverá ter pelo menos um dia “vermelho”, com a convocação do Dia D contra a morosidade do atendimento de mulheres com câncer, em todo o país.

Deputada Federal de Alagoas, Tereza Nelma  com a médica Maira Caleffi, presidente da FEMAMA. Foto: jornal3idade.com.br

A decepção do evento ficou por conta da ausência de políticas de São Paulo. Nenhuma vereadora da Capital e nenhuma deputada estadual ou federal foram ao evento e nem mandaram qualquer comunicação.  A deputada estadual de São Paulo, Valéria Muller Ramos Bolsonaro, prima do Presidente da República, eleita pela Região de Campinas com plataforma de combate ao câncer, que constava na lista de inscritos, não apareceu e nem justificou a ausência. 

Representando políticas do Interior de São Paulo participaram: a presidente da Câmara Municipal de Valinhos, Dalva Berto (MDB-SP)  e a Prefeita de Lourdes, Gisele Tonchis (DEM-SP). Alagoas foi quem marcou a maior presença com seis pessoas e com a Deputada Federal Tereza Nelma (PSDB-AL).

Além de debater maneiras de sensibilizar as deputadas e senadoras brasileiras para aprovar os projetos de lei que buscam tornar o tratamento de câncer mais rápido, as presentes no evento de ontem apontaram para a necessidade da eleição de mais mulheres para os parlamentos do país, começando já no ano que vem com as eleições municipais.

Kátia Baldini, coordenadora de Enfermagem da NASPEC e a Vereadora Aladilce de Souza, representantes da Bahia. Foto: jornal3idade.com.br

Precisamos eleger mulheres para os nossos parlamentos. Com a maioria de homens na política temos que lutar ainda mais para que eles entendam as necessidades dos exames médicos e das urgências das mulheres. Somos a maioria de eleitoras, mas continuamos minoria na política. Levo desse encontro uma grande energização. Foi muito importante para entender a situação atual e o que precisamos para conseguir o diagnóstico precoce e a realização de exames. Temos muitas dificuldades na Bahia com apuração de dados, as mulheres continuam com dificuldade para os exames precoces e depois também para tratamento que salva vidas,  disse Aladilce Souza (PC do B), Vereadora de Salvador, na Bahia que esteve no encontro convidada por Kátia Baldini, Coordenadora de Enfermagem da NASPEC- Núcleo de Cuidados Paliativos, Prevenção e Diagnóstico Precoce na Luta contra o Câncer.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, nas eleições de 2018 do total de 147.306.275 eleitores aptos a votar em todo o país, as mulheres ainda eram maioria com 77.339.897 eleitoras, representando 52,50% do total. No entanto somente 16% são Senadoras e 10,5% são deputadas federais.

Hoje às despesas de tratamentos recai sobre o município que em geral aplica 16 a 18% da sua arrecadação . O governo federal fica com 60% da arrecadação total, mas não está nem aí com custeio de serviços de saúde nas cidades. Hoje a questão da judicialização da Saúde é muito séria. Eu tenho na minha cidade uma verba de 150 mil para compra de remédios e gasto com uma única pessoa 62 mil, porque ela entrou na Justiça. Por isso a importância desse evento. Nosso grupo vai convocar a bancada feminina em Brasília para falar sobre essa PL, para que elas convoquem o Ministro da Saúde, os senadores, para até novembro, antes do recesso, conseguirmos a aprovação, disse a Prefeita de Lourdes, Gisele Tonchis.

Nós precisamos unir as políticas de São Paulo para ir ao falar com o governador. Mesmo num Estado como o nosso, que é o que tem mais recursos em relação aos demais Estados do Brasil, falta muita coisa. Principalmente no Interior faltam aparelhos nos municípios e muitas mulheres estão sendo diagnosticadas tardiamente. São famílias que ficam sem a sua mãe, disse presidente da Câmara Municipal de Valinhos, Dalva Berto.

É o segundo momento que participo desse encontro com a FEMAMA e sempre saio renovada, com novas ideias e com vontade de continuar a campanha, continuar a mobilização para que o governo federal olhe e dê prioridade para a questão do câncer em nosso país, principalmente ao câncer de mama, que é o que mais mata as mulheres. Em todo o país as mulheres estão desassistidas, porque não temos como pedir um exame antes dos 30 dias. Por isso nós queremos que o PL 148 seja aprovado pelo Senado. Queremos também que a lei dos 60 dias, que permite a mulher começar o tratamento, também passe a funcionar no Nordeste, porque lá não está sendo obedecida e precisamos fazer que funcione. Então eu sempre venho aprender novas técnicas, novas formas de trocar ideias com mulheres e lideranças políticas também mastectomizadas como eu, falou a Deputada Federal de Alagoas, Tereza Nelma.