Alimentação para uma boa longevidade é tema de XV Congresso de Nutrição Funcional

Coordenadoras do XV Congresso Internacional de Nutrição Funcional, organizado pela VP Centro de Nutrição Funcional: Dra. Natalia Marques, responsável das discussões de Nutrição Clinica; Dra. Valéria Paschoal, presidente geral do Congresso e responsável pelas mesas Nutrição Esportiva Funcional. Foto: jornal3idade.com.br

Que as pessoas chegam na terceira idade com mudança no seu metabolismo, acumulando mais gordura, com redução muscular correndo o risco de osteoporose todo mundo já sabe. O que muitos ainda não descobriram é a possibilidade de fazer da alimentação diária uma ferramenta saborosa de prevenção, que pode abastecer de nutrientes necessários cada faixa de idade, prevenindo doenças e eliminado os excessos de remédios.

Para debater isso de forma científica, com a participação de mais de 3 mil nutricionistas, agrônomos, agricultores e chefes de cozinha, será realizado a partir da próxima quinta-feira -nos dias 12, 13 e 14 de setembro-  no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, o  XV Congresso Internacional de Nutrição Funcional, organizado pela VP Centro de Nutrição Funcional, que terá como slogan “Você + longe na Melhor Idade”.

Nutrir uma pessoa não é apenas ingerir uma série de alimentos saudáveis. Nutrição é mais do que isso. As pessoas precisam nutrir relações, nutrir o espírito. Quando a pessoa amplia esse conceito de “nutrição”, que é a maneira como trabalhamos, é possível uma mudança fundamental na alimentação dos pacientes. Quando a gente tem um propósito a  gente  consegue mudar a sociedade. Hoje 70% das pessoas envelhecem usando medicamentos. Então não adianta ficar mais velho, não adianta viver mais se essa longevidade não for com saúde. A longevidade humana tem que estar aliada a longevidade do planeta, disse Valéria Paschoal, presidente do Congresso e da VP – Centro de Nutrição Funcional, escola de especialização que tem 15 mil nutricionistas associados, formados em 20 anos de existência.

Coordenadoras do XV Congresso Internacional de Nutrição Funcional, organizado pela VP Centro de Nutrição Funcional: Dra. Natalia Marques, responsável das discussões de Nutrição Clínica; Dra. Valéria Paschoal, presidente geral do Congresso e responsável pelas mesas Nutrição Esportiva Funcional. Foto: jornal3idade.com.br

Nos três dias do evento, os profissionais vão debater conceitos novos que apontam a alimentação ultra processada com muitos aditivos químicos, com alto teor de xenobióticos como responsáveis pela mudança na estrutura interna das pessoas, não só causando obesidade, como aumentando os casos de doenças autoimunes, doenças psiquiátricas e doenças neurodegenerativas. 

Para saber mais sobre a importância de chamar atenção para a importância da alimentação saudável, como um dos pilares da longevidade com qualidade de vida, a Dra. Natália Marques, coordenadora da programação científica do Congresso falou com o  Jornal da 3a Idade.

Jornal da 3ª Idade – O conceito de longevidade atualmente é amplo e vem sendo trabalhado nas crianças como preparação para um futuro. Nos que estão saindo da fase adulta para o começo da terceira idade. E tem os mais velhos, que em geral já tem as patologias sendo desenvolvidas. A Nutrição pode realmente influenciar a longevidade em cada uma dessas fases do ser humano?

Dra. Natália Marques, coordenadora da programação científica do XV Congresso Internacional de Nutrição Funcional –  Não estamos interessados em manter uma meta de idade máxima. Sabemos que o ser humano pode chegar até 120 anos, mas nem sempre essa idade cronólogica vem de encontro ao que conhecemos hoje como idade biológica, que é a idade real que nosso organismo tem, que nossas células traduzem. Essa idade biológica é afetada pelas patologias. Então o ser humano pode até ultrapassar os 120 anos pelos recursos da medicina, mas o que interessa para a Nutrição é que essa longevidade chegue com vitalidade positiva, com ausência de patologias, com um organismo compatível com uma estrutura econômica e social.

 A Nutrição tema capacidade de atender as demandas metabólicas de cada uma dessas fases da vida humana:  na prevenção da doença na fase adulta; na manutenção da saúde na terceira idade, a partir dos 60 anos até os 80 anos e trabalhar para o não agravamento do processo a partir dos 80 anos. Então a alimentação adequada pode garantir a manutenção da estrutura orgânica, do músculo, da estrutura óssea e também a parte cognitiva, mantendo o cérebro de maneira funcional, sem nenhuma patologia associada.

Jornal da 3ª Idade – Como a alimentação vegana ou a alimentação funcional está sendo trabalhada para esse público mais velho. Muitos ainda enxergam esse trabalho como “hippie” porque foi quando teve o primeiro contato com alguns desses conceitos?

Dra. Natália Marques –  Não é porque é vegano que todos os alimentos são saudáveis. O que é preciso é ver o equilíbrio nutricional, quando é uma alimentação mais rica em fitoquímicos que acabam trazendo mais proteção orgânica e com isso reduz muitas patologias ou mesmo o agravamento das patologias na terceira idade. A alimentação tem que contemplar a redução do consumo de proteína animal no dia a dia. Não precisa chegar num radicalismo, mas fazer uma roupagem nova das necessidades. Porque as pessoas vão tendo uma mudança do metabolismo, começam a acumular mais gordura, tem o risco da osteoporose e redução muscular. Só que as pessoas querem continuar comendo da mesma maneira e sentindo os mesmos sabores. A Nutrição precisa dar essa tensão individualizada. Não precisa ser vegano nem ser onívoro, mas fazer uma individualização da conduta de acordo com a faixa etária, de acordo com as expectativas, para manutenção da saúde,na terceira e na quarta-idade, quando  ancião.

Jornal da 3ª Idade –  A suplementação é realmente necessária na terceira idade? Virou uma febre entre os idosos e muitos estão consumindo sem prescrição médica.

Dra. Natália Marques – A suplementação se faz necessária como um complemento. Por exemplo: muitos pacientes depois dos 80 anos têm dificuldade na capacidade digestiva e isso traz problemas. A demanda da estrutura muscular depende de alguns aminoácidos e se a digestão está muito precária eu não vou conseguir acessar os aminoácidos pela matriz alimentar. Nesses casos é preciso entrar com um complemento proteico nessa alimentação, mas sempre como complemento, não como substituto. Então nunca se deve substituir uma refeição por suplemento, isso em nenhuma faixa etária,  muito menos na terceira idade.

Jornal da 3ª Idade –  O mercado consumidor vende a falda ideia do prático dizendo aos mais velhos que por não terem mais crianças podem comprar comida pronta o tempo todo, ao invés de ir para o cozinha. Como trabalhar com isso?

Dra. Natália Marques – Precisamos comer a comida que potencialmente estraga. Quanto mais conservante e mais protetor tiver nesse alimento, para não estragar, mais prejuízo ele vai dar para a saúde. O novo é o resgate dessa cultura de cozinhar e de comer uma comida que dá prazer, que estimula a papila gustativa. Isso no idoso é muito importante porque existe uma redução na percepção do sabor. É por isso que muitos idosos consomem os temperos prontos, porque querem comer o sal ou muito açúcar. Essa alimentação contribui com patologias da terceira idade, que não precisam existir. Na infância tivemos aumento de casos de autismo e nas pessoas de 40 anos aumento dos casos de Alzheimer e Parkinson. Onde está esse gatilho? Nós sabemos hoje que as escolhas alimentares estão relacionadas a inflamação de baixo grau.  Todas essas discussões vindas do desequilíbrio da microbiota estarão no Congresso.