Dez anos da morte da médica Zilda Arns criadora da Pastoral da Pessoa Idosa

Zilda Arns Neumann viveu 76 anos trabalhando em prol dos mais carentes e necessitados. foto:: divulgação
Zilda Arns Neumann viveu 76 anos trabalhando em prol dos mais carentes e necessitados. foto:: divulgação

É muito importante lembrar os 10 anos da morte da médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, ocorrida no dia 12 de  janeiro de 2010, quando ela estava  na Igreja Sagrado Coração de Jesus, durante o terremoto em Porto Príncipe, no Haiti. Ela criou a Pastoral da Criança e a Pastoral da Pessoa Idosa e dedicou sua vida em prol da saúde pública.

É essa é uma definição simples para uma pessoa que conseguiu criar um trabalho social no Brasil que salvou centenas de vidas de crianças que estavam condenadas pela desnutrição, fêz o método ser reconhecido pela ONU e adotado em vários países e depois teve energia para recomeçar a caminhada criando a PPI- Pastoral da  Pessoa Idosa.

A Pastoral da Criança está presente em todo Brasil e em mais dez países da África, Ásia e América Latina. A Pastoral da Pessoa Idosa, que só teve a sua presença por cinco anos, caminha com mais dificuldades, embora também tenha presença em todos os Estados.

Embora uma parte da família esteja trabalhando para torná-la uma santa da igreja católica e mesmo tendo o seu trabalho nascido no seio das comunidades eclesiais, inspirados pela influência do seu irmão, o Cardeal D. Paulo Evaristo Arns, sua prática era ecumênica.

Zilda Arns, depois de morta, passou a ser unanimidade nacional, mas em vida teve que derrubar muitos mitos da medicina e da religião para facilitar o acesso de saúde para as pessoas pobres. Mesmo dentro da igreja católica teve resistência de padres conservadores,  muitos que até hoje não aceitam a implantação da PPI nas suas paróquias, por exemplo.

Uma das companheiras mais antigas da Dra Zilda repetiu  ao Jornal da 3ª Idade, nas comemorações dos 15 anos da PPI, em novembro passado, o mesmo que tinha dito cinco anos antes, na celebração dos 10 anos da PPI em SP: Não é fácil, precisa de muita fé, mas se até o próprio Papa Francisco tem que lutar para cumprir sua missão, nós não vamos desistir da caminhada.

De acordo com o livro Zilda Arns: uma biografia, escrito pelo jornalista Ernesto Rodrigues (que também é autor da biografia de Ayrton Senna), um dos  exemplos do grande reconhecimento internacional que ela conquistou está na visita do médico descobridor da vacina contra a poliomielite:

Nos anos 1980, recebeu em sua casa a visita de Albert Sabin e sua esposa, a brasileira e bacharel em Direito Heloisa Dunshee de Abranches, que puderam conferir de perto o sucesso da metodologia da campanha de vacinação criada por Zilda no Paraná. “Albert adorava a Zilda e os conceitos que ela trouxe. Eram revolucionários!”, contou Heloísa a um dos filhos da médica, anos mais tarde.

Em Curitiba foi criado o Museu da Vida, em 2004, com fotos históricas, objetos pessoais e prêmios recebidos pela Dra Zilda Arns. Ele é aberto para visitação gratuita.

Pastoral da Criança fez três dias de homenagens

A Pastoral da Criança, sediada em Curitiba, organizou três dias de homenagens para a Dra Zilda Arns. A capital do Paraná desde a última sexta-feira (10/1), recebeu centenas de pessoas ligadas à Pastoral em todo o País.

O ponto alto foi ontem domingo (12/1),  com uma missa solene presidida por Dom José Peruzzo, Arcebispo de Curitiba, com animação musical do Padre Reginaldo Manzotti, na Praça do Santuário Sagrado Coração de Jesus, com a presença de milhares de pessoas.

Leia também entrevista com o médico idealizou a Pastoral da Pessoa Idosa com a Dra Zilda

Reprodução do programa Roda Viva, com a Dra Zilda em 20/10/2001