Envelhecer de forma saudável é uma conquista de todas as pessoas

A psicóloga clínica Mariuza Pregnolato. Foto: Nicole  Gomes/divulgação
A psicóloga clínica Mariuza Pregnolato. Foto: Nicole Gomes/divulgação

Embora não exista uma definição única para a ideia de envelhecimento saudável, viver bem cada fase da vida é essencial.

Chegar à fase madura com boa disposição e motivação não é uma consequência direta e sim um ganho conquistado ao longo da vida. Para isso, é preciso aprender a aceitar e processar mudanças inevitáveis, valorizar ganhos e elaborar perdas, além de investir em novos projetos sempre.

Envelhecer é automático, basta não morrer, mas o envelhecimento saudável é uma conquista.

Quanto mais cedo se iniciam os cuidados com a saúde tanto física quanto mental, maiores as chances de uma velhice bem-sucedida. Quanto ao corpo, sabe-se que praticar atividade física, evitar excessos alimentares bem como abuso de drogas e álcool, aliados a sono adequado propiciam as condições da saúde física na idade avançada.

Com o avanço da idade, as características de personalidade tendem a acentuar-se, o que reforça a importância do autoconhecimento e do respeito aos valores e gostos individuais de cada um.

Aprender a ser leve e motivado, resiliente e ativo, conhecendo-se bem para desenvolver mecanismos internos de superação e controle emocional ajuda a pessoa em todas as fases da vida e a prepara para seguir sendo assim também na terceira idade.

Vivendo de forma saudável no dia a dia é possível construir hábitos saudáveis que se manterão ao longo da vida, adiando degenerações e minimizando obstáculos. Isso inclui aprender a encontrar novas motivações e seguir adiante apesar das inevitáveis tristezas ou perdas com que nos deparamos ao longo da vida.

É preciso vencer o preconceito que existe sobre o que o idoso pode ou não pode fazer. Como os jovens, o idoso deve continuar acreditando que pode realizar seus sonhos e deve ousar fazer tudo aquilo que sabe que lhe fará bem. Mesmo podendo ficar cansado mais rapidamente não deve desistir. Um condicionamento físico adequado pode manter boa mobilidade e capacidade funcional.

A subjetividade do idoso precisa ser respeitada e a pessoa idosa tem que ser tratada com a dignidade que sua identidade merece, sem infantilização, sem impedir de manter o máximo de autonomia possível.

Enquanto houver lucidez, é preciso respeitar os desejos dos idosos, suas decisões e pontos de vista em todas as questões que envolvem a sua pessoa, ainda que algumas dessas decisões contrariem pressupostos convencionados como saudáveis. Por exemplo, uma pessoa de 80 anos, lúcida, que declara saber que o cigarro faz mal, mas quer fumar mesmo assim porque isso lhe dá muito prazer, não deve ser impedida de fazê-lo.

Muitas vezes a família crê que o idoso está deprimido porque recusa-se a sair ou ir a festas ou viagens, mas ao ouvi-lo descobrimos que ele está bem, que apenas acha chatos os passeios da família, não tem prazer no tipo de entretenimento que lhe é oferecido e gosta de mais tranquilidade, prefere evitar agitação.