Amapá, só com uma ILPI e sem delegacias, apela para idosos ficarem em casa

Entrevista com a Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI/PA – Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa do Amapápara a série Conselhos e Fóruns Estaduais na Pandemia.

Desde ontem (19/5) o Amapá se tornou o primeiro Estado a decretar o chamado, lockdown, ou bloqueio total de serviços não essenciais, em todos os municípios. Segundo o boletim informativo sobre a situação do novo coronavírus no estado, hoje, agora são 4.549 casos confirmados e 7.576 em análise laboratorial. 

Para saber a atuação do CEI-AP-Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa do Amapá neste período de isolamento, o Jornal da 3a Idade conversou com a sua presidente, a pedagoga e mestre em Ciências da Educação, Maria Aparecida Côrtes Machado. Ela está em casa, isolada com o marido, sem contato com os três netos.

Jornal da 3ª Idade – Como está atuando o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa do Amapá, nesse momento?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP-Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa do Amapá– O Conselho está em teletrabalho. Estamos conseguindo apenas fazer encaminhamentos para os devidos órgãos, daquilo que estamos recebendo agora, como normas do CNDI- Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa para as ILPI; denúncias e papelada que já estava sendo tratada antes.

Jornal da 3ª Idade – Que tipo de denúncia estão recebendo agora?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP – São mais reclamações de atendimentos que não estão conseguindo ser feitos nesse período. Por exemplo, uma mulher ligou dizendo que a mãe dela tinha uma cirurgia marcada, que precisa ser feita e está adiada pela quarentena. Nós encaminhamos para o Ministério Público para que ele consiga resolver isso junto com a Saúde.

Jornal da 3ª Idade – O CEI conseguiu realizar alguma ação específica para os idosos, em relação à pandemia?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP –  A ação que conseguimos fazer foi a de doação de cestas básicas, numa iniciativa da Secretaria de Assistência Social, órgão a qual o CEI-AP está vinculado.

Jornal da 3ª Idade – Quantas cestas foram distribuídas? Quem foram os idosos que receberam?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP – Foram distribuídas 50 cestas básicas. O Conselho fez uma plenária pelo WhatsApp e os conselheiros decidiram que elas seriam distribuídas para os idosos atendidos pelos trabalhos desenvolvidos nas suas áreas de atuação. A Secretaria passou as cestas para os conselheiros que repassaram para os idosos.

Jornal da 3ª Idade – Os idosos amapaense estão atendendo a recomendação de ficar em casa?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP – Uma reportagem na TV local mostrou um levantamento feito com a empresa que controla o Cartão Cidadão para saber a quantidade de pessoas circulando e identificou que o número de idosos estava maior que o de jovens e adultos. Depois dela foram feitos alertas e parece que nesse momento está menor.

Jornal da 3ª Idade – Quantas pessoas compõem o CEI-AP? Todas são idosas?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP – Somos em 14 pessoas, sendo 7 da sociedade civil e 7 representante governamentais. Somente uma é idosa, a representante da ABCMI- Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade, que é suplente da presidente.

Jornal da 3ª Idade – Tem algum conselheiro governamental na linha de frente da pandemia?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP – Não nenhum dos nossos.

Jornal da 3ª Idade – Muitas pessoas acreditam que essa parada obrigatória vai prejudicar todo o trabalho que os conselhos estavam desenvolvendo, principalmente depois das conferências municipais. Você sente isso em relação ao trabalho com os conselhos do Amapá? 

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP – Quando nossa gestão foi eleita o Conselho do Amapá estava, há quase dois anos, parado, sem a atividade. Começamos um trabalho forte em relação às delegacias de direito, que ainda não conseguimos instalar. Temos uma delegacia referência que tem contribuído bastante, inclusive nesse momento de quarentena. A violência contra a pessoa idosa é crescente no Amapá, infelizmente maior dentro das próprias famílias. Essa necessidade de isolamento fez com que a gente parasse esse trabalho que foi muito debatido no período das conferências municipais.

Jornal da 3ª Idade – Todas os municípios do Amapá já tem seu conselho municipal do idoso formado?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP – Temos 16 municípios no Estado do Amapá. Temos 6 conselhos instalados e em pleno funcionamento, mais 4 estavam criados mas ainda não em funcionamento e os demais estavam caminhando. Fizemos a conferência municipal em todos os 16 municípios. Temos dificuldade em criar conselhos em cidades pequenas, as pessoas ainda relutam porque o trabalho é grande, mas voluntário. 

Jornal da 3ª Idade – O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa tem mandado alguma ajuda?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP – Tivemos na sexta-feira passada uma reunião virtual com Conselhos da Região Norte e o Secretário Nacional, sobre a portaria que vai repassar recursos para as ILPI e casas de abrigamento. Estamos nesse momento exatamente mandando as documentações para as cidades para os prefeitos assinem e conseguirem a liberação de recursos. No dia 29 nós vamos receber um carro do CNDI, que vai melhorar muito o nosso trabalho. As locomoções eram feitas com o meu carro.

Jornal da 3ª Idade – No Amapá quantas ILPI- Instituições de Longa Permanência existem?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP – Só temos uma, na Capital – o Abrigo São José- não temos nenhuma nos demais municípios. Ele já está superlotado. Ele foi criado para 48 pessoas e hoje tem 68 pessoas. A coisa boa é que apesar de estar lotado não apresentou até hoje caso de Covid-19. Esse abrigo é mantido pelo governo do Estado, pela Secretaria de Assistência Social que tem um acompanhamento bom.

Jornal da 3ª Idade – Pessoalmente, o que é mais difícil na quarentena?

Maria Aparecida Cortes Machado, presidente do CEI-AP – Ficar longe dos meus três netos.