Morre em SP Antônio Galdino, um dos mais importantes líderes dos aposentados do Brasil

Antônio Galdino com a neta e a esposa Dêo, num ensaio fotográfico do Jornal da 3a Idade em 2008, para uma capa sobre o Dia dos Avós.
Antônio Galdino com a neta e a esposa Dêo, num ensaio fotográfico do Jornal da 3a Idade em 2008, para uma capa sobre o Dia dos Avós.

No momento crítico que vive o Brasil, tendo que voltar a lutar contra movimentos autoritários, perdeu-se na noite de hoje um dos seus maiores democratas, um dos principais líderes sindicalistas no período da redemocratização. Morreu na madrugada de hoje, Antônio Galdino, aos 88 anos, na cidade de Campinas, mas o corpo será enterrado em Jundiaí, às 16h30, somente acompanhado por alguns familiares. Teve uma obstrução gástrica por um tumor assintomático.

Galdino, como era tratado por todos, ficou nacionalmente conhecido, em 1991, quando era presidente da COBAP- Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas e liderou o movimento dos 147%.

Ele foi vereador por três legislaturas em Jundiaí. De 1960 a 1963, pelo PSB, de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004, ambas pelo Partido dos Trabalhadores de Jundiaí. Participou de diversas entidades em defesa dos aposentados.

Em 1997 criou o seminário Qualidade de Vida Para Um Envelhecimento Saudável em Jundiaí, homônimo ao que era feito na Câmara Municipal de São Paulo,  que ele também ajudou a criar, em parceria com o então Vereador José Eduardo Cardozo e o Jornal da 3ª Idade.

Nos últimos anos estava afastado por problemas de saúde, mas deixa um legado importante para o movimento dos aposentados e dos idosos.

Ele deixou a esposa Dêo-Deolinda França Galdino- sua companheira da vida toda, na casa e no trabalho político- 3 filhos, 6 netos e 3 bisnetas.

A luta dos 147%

Em março de 1990 ocorreu o confisco das cadernetas de poupança, no governo Collor, que afetou de forma direta e imediata a vida de aposentados, pensionistas e trabalhadores. O governo Collor foi, desde o início, contrário às conquistas sociais asseguradas na Constituição de 1988. Os aposentados e pensionistas se mobilizaram e conseguiram derrotar a decisão do governo. A luta pelo reajuste de 147% sobre os vencimentos foi histórica e mobilizou todo o país.