Morre no Rio de Janeiro, vítima da COVID19 a atriz Nicette Bruno de 87 anos

A atriz Nice Bruno foi ajudar a fazer o lanche num encontro intergeracional promovido pela ONG Liga Solidária do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, em agosto de 2012. Foto: jornal3idade.com.br
A atriz Nice Bruno ajudando uma criança a fazer seu bolinho,  num encontro intergeracional promovido pela ONG Liga Solidária do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, em julho de 2012, quando se comemorava o Dia dos Avós. Foto: jornal3idade.com.br

A atriz Nicette Bruno Morreu na manhã de hoje, domingo 20 de dezembro, aos 87 anos, vítima da COVID19. Ela estava internada desde o dia 26 de novembro, na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro.

Nicette, que foi casada com o ator Paulo Goulart por 60 anos e com ele teve três filhos, também artistas: Paulo Goulart Filho, Beth Goulart e Bárbara Bruno.

Ela que personificava a imagem da boa vovó, por ter vivido por quatro anos, a personagem Dona Benta, na versão da TV Globo do Sítio do Pica-Pau Amarelo, por isso, sempre era convidada para participar de eventos com crianças e idosos. Em 2012 o Jornal da 3ª Idade acompanhou a sua participação no evento do Dia dos Avós, organizado pela ONG Liga Solidária, que fica no bairro do Butantã, na Zona Oeste da capital, em São Paulo.

Reprodução da entrevista dada ao Jornal da 3ª Idade, impresso em 2012

Na quarta-feira dia 25 de julho a atriz Nicette Bruno que, entre outros sucessos da sua carreira foi a avó da última edição do Sítio do Picapau Amarelo na TV – foi a convidada especial de uma tarde também singular.

Ela esteve participando das comemorações do Dia dos Avós, do projeto Vovô Criança da ONG Liga Solidária, que reuniu crianças de creches atendidas pela entidade, com idosos que vivem no Recanto Monte Alegre, no Complexo Educacional Educandário Dom Duarte, no Butantã. Foi uma tarde bonita de resgate do afeto e respeito aos mais velhos.

A Liga Solidária é uma organização social sem fins lucrativos, criada há 89 anos. Atualmente, atende mais de 3.200 pessoas nos seus programas sociais de educação e cidadania em várias regiões da cidade. (dados da época)

Jornal da 3ª Idade– O que significa para você, que é um símbolo de vovó, um evento como esse?

Nicette Bruno– É um momento de felicidade e de oportunidade. Fala-se tanto de integração de
gerações, mas faltam oportunidades. Para as crianças é um olhar para o futuro e para os idosos a chance da agilidade mental e do novo que elas trazem.

Jornal da 3ª Idade–  Sua presença tem sido constante em eventos sociais. Isso é uma proposta de vida?

Nicette Bruno– É o mínimo que posso fazer para viver fraternalmente. Sempre que posso eu aceito convites e trabalho em instituições. É uma forma de passar pela vida deixando um trabalho realizado.

Jornal da 3ª Idade– Isso vem de berço?

Nicette Bruno–  Minha avó era uma mulher muito ligada aos empreendimentos sociais. Ela construiu um orfanato em Niterói e desde pequena eu ia com ela para declamar e brincar
com as crianças de lá. Isso foi fundamental na minha formação, para que eu pudesse entender o que é comunicação, o que é relacionamento com pessoas. O que é ser e não apenas ter.

Jornal da 3ª Idade–  Na sua última novela, seu personagem era de uma idosa moderna que trabalhava e mantinha a sua independência. Esses são exemplos que podem ajudar outros idosos?

Nicette Bruno– – Eu fiquei feliz. Nem sempre a gente recebe o personagem que gostaria e na Vida da Gente o trabalho ajudou porque era uma idosa ligada aos parâmetros normais de uma família, com limites morais, mas aberta para o moderno. No final ela dizia que o tempo passa e as
realizações é que perduram e essa é uma grande mensagem para todos nós.

Nicette bruno posando para o Jornal da 3ª Idade, com os idosos e as crianças, na comemoração do Dias dos Avós, em 2012. Foto: jornal3idade.com.br