Maria Antônia Crispim uma festa linda de 90 anos de uma guerreira

Maria Antônia Crispim, 90 anos. Foto: Jornal da 3a Idade
Maria Antônia Crispim, 90 anos. Foto: Jornal da 3a Idade
Maria Antônia Crispim, 90 anos. Foto: Jornal da 3a Idade

Sábado, noite de tempo duvidosa de 13 de agosto de 2016, que começou quente e abriu a madrugada bastante fria. Num salão de festas da periferia de São Paulo uma família se reuniu com amigos para comemorar o aniversário da sua matriarca.

Poderia até não merecer um comentário, já que na mesma hora muitas outras festas semelhantes a essa devem ter acontecido em muitos lugares.

Essa, no entanto vale destaque, não só pela organização como foi feita, pelo saboroso jantar, pelos deliciosos doces e ambiente agradável. Merece ser lembrada principalmente para quem estuda trabalha e defende que os idosos tenham direito a um envelhecimento saudável.

A celebração dos 90 anos de Maria Antônia Crispim, no salão de festas, Star Ship, no Jardim Esmeralda, no Butantã, espaço no formato de um navio, foi um exemplo de como se pode viver muito, com dignidade, rodeada do carinho da família, convivendo com várias gerações e mantendo a autoridade.

Maria Antônia Crispim com a neta que herdou a beleza e o carisma. Foto: Jornal da 3a Idade
Maria Antônia Crispim com a neta que herdou a sua beleza e o seu carisma. Foto: Jornal da 3a Idade

Maria Antônia não é fácil. Engana-se quem acha que é uma velhinha tímida e só boazinha, vendo aquela senhorinha baixinha e magrinha que pode passar tranquilamente por muito menos idade. Quem a conhece sabe o quanto é vaidosa e como se orgulha de ter sido Miss Terceira Idade em quatro eventos distintos. Quem conviveu com ela nos últimos anos sabe que a sua teimosia é histórica e que não deu trabalho só para os médicos que cuidaram dela quando se acidentou e para os familiares que tiveram que ajudar durante meses com o gesso pesado em pernas miúdas que não paravam quietas.

Maria Antônia, que nasceu em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo e está na capital há mais de seis décadas, reuniu na festa um pouco de tudo que construiu. Viúva, mãe de cinco filhos que lhe deram dez netos e quatorze bisnetos, ela não assume a idade, no melhor do que isso possa significar.

No salão de dois andares, ela dava atenção a todas a mais de 60 pessoas, todas alegres e muito à vontade, indo de mesa em mesa. Fazer uma festa dessa qualidade nos dias de hoje não é para qualquer um.

Ela continua militante dos movimentos sociais da sua região, muitos deles do qual participou como uma das fundadoras, como os Fórum do Cidadão Idoso do Butantã, o Conselho de Saúde local, o Conselho Participativo e tantos outros. Foi umas pessoas que mais “brigaram” para a manutenção do GCMI- Grande Conselho Municipal do Idoso não fosse extinto numa época em que ele perigava de acabar. Acompanhou de perto as gestões dos últimos 20 anos. Sempre esteve nas primeiras filas de qualquer reunião que se chamava para defender direitos

A Toninha, a Crispim, a Maria Antônia, são algumas maneiras que pode ser chamada dependendo do grupo. É assim com a turma do voleibol que jogou até a alguns anos atrás, participando dos Jogos Regionais dos Idosos por todo o Estado. Com as companheiras do grupo da terceira idade com quem gosta de viajar. Com vizinhos do bairro que recorrem a ela quando querem reclamar com a prefeitura.

Também por isso ela conseguiu reunir pessoas diferentes que lá foram só para prestigiá-la. Numa mesa estava o Subprefeito do Butantã, Ives campos Lazarini e família. Em outra, reservada para “conselheiros”, Sandra Gomes, Lia Sztulman, Elisabete, Marly Feitosa, Tatiana Feitosa, Maria da Conceição Silva Amaral, Creusa Silva e Herminia Brandão.

A baixinha continua tendo autoridade na família. Quando algumas pessoas já bem depois das 22 horas ameaçaram se retirar, ela determinou que era a hora do Parabéns.  Sua neta, que herdou a sua beleza e carisma, se desdobrou para convencê-la a esperar pela surpresa do vídeo preparado pelos filhos e netos.

Valeu a pena esperar e foi impossível não se emocionar junto com ela, vendo suas fotos de jovem, carregando os filhos pequenos, embalando os primeiros netos, admirando a chegada dos bisnetos, nas excursões de ônibus, navio e avião com as amigas da terceira idade, com as camisetas do JORI, do Vem Dançar, ao lado de políticos em campanhas, de artistas. Momentos únicos.

Não por acaso, junto com as lembrancinhas da festa, uma árvore estilizada tinha como frutos fotos de Maria Antônia carregando crianças, filhos, netos, bisnetos, afilhados.

Quem desenhou o salão como navio talvez nem tenha imaginado como algumas horas lá dentro podem oferecer a uma pessoa uma viagem de lembranças. Foi o que sentimos ontem junto com a Maria Antônia Crispim. Foi ela que deu para todos um grande presente.

Obrigada Maria Antônia.