Toninho Ferreira, do PSTU, é a quarta entrevista na série com os candidatos ao Governo de São Paulo sobre propostas para os idosos

Toninho Ferreira , candidato do PSTU ao governo do Estado nas eleições de 2018.
Toninho Ferreira , candidato do PSTU ao governo do Estado nas eleições de 2018.

Antônio Donizete Ferreira, o candidato Toninho Ferreira, do PSTU- Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado- em campanha para ser eleito governador do Estado de São Paulo, é a quarta entrevista na série que o Jornal da 3ª Idade está fazendo com todos os candidatos.

Toninho Ferreira é advogado, ex-metalúrgico e dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, cidade onde mora.

Ele ficou conhecido em 2012, quando defendeu os moradores da ocupação chamada de Pinheirinho, onde viviam 9 mil pessoas que foram retiradas com violência e brutalidade, pela polícia, numa reintegração de posse feita em meio a uma imensa confusão judicial.

No seu programa de governo para chegar ao Palácio dos Bandeirantes, ele não tem uma parte específica referente aos idosos, mas afirma que as propostas que são foram colocadas para melhorar a qualidade de vida das pessoas em geral, servem diretamente para favorecer os mais velhos.

Toninho Ferreira lembra que as suas propostas são para um modelo socialista de viver, que não admite o lucro incessante das empresas e a forma como o capitalismo trata os idosos.

“A Previdência é a forma mais solidária encontrada pela humanidade para devolver aos mais velhos a contribuição que deram um dia ao seu país, na força de trabalho e no recolhimento dos impostos. Essa foi a maior das instituições criadas no mundo, no final do Século 19. As gerações mais novas bancando as atuais, sabendo que um dia elas serão bancadas pelos que trabalharam antes. Todas as propostas que estão apresentadas como reforma da Previdência querem acabar com isso, querem tirar direitos. E isso que os idosos precisam estar atentos”, explica o candidato do PSTU.

“Na crise atual do país, com mais de 27 milhões de desempregados e subempregados, uma grande parcela das famílias estão sobrevivendo graças ao recebimento dos aposentados. Em muitas famílias os idosos ajudam a pagar as contas dos netos. Muitos filhos estão voltando para a casa dos pais com as famílias formadas para serem amparados pelos pais aposentados. Pequenas cidades contam com a renda que os seus idosos colocam na economia local. Tudo isso pode ser perdido num futuro breve, com a privatização da Previdência que está sendo defendida por vários outros candidatos. Sem a Previdência como dever do Estado tudo vai piorar para os idosos”, disse o candidato a governador pelo PSTU.

Toninho Ferreira comentou todas as perguntas do questionário que foi encaminhado igualmente para todos os demais candidatos, sobre alguns dos assuntos mais necessários para os idosos de São Paulo.

A entrevista é longa, mas vale a pena acompanhar.

Pergunta 1–Demografia

A pergunta é feita pela socióloga aposentada, Celina Rangel, que trabalhou na Prefeitura de São Paulo, foi uma das idealizadoras do primeiro Núcleo de Saúde do Idoso da Região Sé, e atualmente faz parte da RPDI- Rede de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa do Centro.
  • Qual a proposta que a sua candidatura oferece para trabalhar as necessidades que do crescente aumento da população idosa imporá ao Estado nos próximos anos?

Toninho Ferreira  Eu acredito que é preciso ter uma política específica em relação aos idosos que não sejam políticas excludentes. São Paulo tem que dar a sua contribuição como responsável por 30% do PIB brasileiro para a manutenção dos direitos.

A Política Nacional do idoso e o Estatuto do Idoso são importantes, mas a discussão que mais precisa da mobilização dos idosos é a da Previdência, pois sem a garantia dos direitos todas as famílias vão sofrer. A maioria dos aposentados de todo o país recebe um salário mínimo. Isso não pode ser peso para um país que paga para um juiz 33 mil de salário mais benefícios.

 Eu defendo que a questão não pode estar na idade e sim no tempo de contribuição. A privatização da Previdência terá reflexos em pouco tempo para todos, pois sabemos que a maioria não poderá bancar com continuidade. O que muitos não sabem é que nos contratos fica determinado que em caso de falência da instituição, o governo passa a arcar com os proventos mínimos do assegurado. Será como nos planos de saúde, enquanto dá lucro os empresários ganham, quando dá prejuízo volta para o Estado.

Precisamos coordenar políticas dirigidas em todos os setores, Saúde, Educação, Médico da Família. Não adianta programas separados.

Pergunta 2 –Promoção Humana

A pergunta é feita pela coordenadora da Pastoral da Pessoal Idosa, da Arquidiocese de São Paulo e da Rede de Solidaria de Formação em Envelhecimento, a advogada e Mestranda em Gerontologia, Conceição Aparecida de Carvalho.
  • Considerando que o envelhecimento populacional é um processo em curso, quais são os objetivos propostos para as políticas públicas de saúde que visem a promoção social, a prevenção e a garantia dos seus direitos nos segmentos mais vulneráveis dessa população?

Toninho Ferreira – Eu defendo o médico de família, tanto pela qualidade da atenção, quanto pelo fato de que realmente fica mais barato.

Hoje o modelo é ir privatizando todos os segmentos da Saúde, estão entregando para as OS (organizações sociais) ou para as OCIP (Organização Civil de Interesse Público), ou seja, algum empresário vai ganhar.

Enquanto a Saúde for mercadoria não tem solução. A Saúde tem que ser obrigação do Estado e a sociedade tem que ser a fiscalizadora.

Numa sociedade que tem mais farmácia que padaria alguma coisa está errada. As distribuidoras de remédios estão bancando campeonatos inteiros e estão patrocinando grandes jogadores. Isso só acontece porque dá muito lucro.

Pergunta 3 – Transporte

A pergunta foi feita pela psicóloga Zina Costa, do Instituto Acolher, que também é coordenadora do Fórum Popular da Pessoa Idosa de Guarulhos
  • Como a sua candidatura pretende abordar a questão dos transportes para idosos. Em toda a sua abrangência ela apresenta desafios que não estão sendo abordados pelos governantes. Como ficará a gratuidade nas passagens urbanas, interurbanas e interestaduais, que está na Política Nacional do Idoso, está no Estatuto do Idoso, mas em São Paulo não é obedecida pela maioria das cidades? E o transporte de pessoas idosas com necessidades especiais?

Toninho Ferreira – Transporte tem que ser gratuito para os idosos a partir dos 60 anos. Defendo que seja estatal, nunca privado. Essa defesa da privatização como melhoria de serviços perde feio quando se refere aos serviços prestados pelos ônibus aos idosos. As pessoas mais velhas sofrem muito com um transporte coletivo que não tem uma capacitação específica para as suas necessidades.

O aumento da malha do Metrô ajudaria também muito na qualidade dos idosos, mas os investimentos são pífios nessa área. Existem cidades no mundo, muito menores que São Paulo que tem 340 quilômetros de metrô e nós temos 82 quilômetros.

A fiscalização nos ônibus intermunicipais é urgente, pois é humilhante ver os idosos ao lado dos guiches esperando uma oportunidade, quando ele deveria ter atendimento preferencial. Isso é falta de fiscalização.

Pergunta 4- Instituições de Longa Permanência

A pergunta foi feita pelo administrador de empresas, Gerson Ribeiro Magalhães, que atua há mais de 20 anos em ILPI- Instituição de Longa Permanência, foi vice-presidente do Conselho de Assistência Social de Guarulhos e conselheiro do Conselho Estatual do Idoso de São Paulo.
  • Como a sua candidatura pretende olhar para as ILPI? O que se pode esperar para aqueles idosos que realmente não terão recursos, nem família para apoiá-los até o final?

Toninho Ferreira – Se você não resolve a questão da moradia para o adulto terá que resolver na velhice. As casas mantidas por instituições estão com dificuldades. É preciso uma política pensada para isso.

Pergunta 5– Investimento em equipamento público

A pergunta é feita pela Professora Eva Bettine, professora na USP Leste e presidente da ABG- Associação Brasileira de Gerontologia.

Como no seu mandato ficarão os equipamentos sociais gratuitos para os idosos. Quais estruturas já existentes ele pretende aproveitar? O que gostaria de construir?

Pergunta 6 – Esportes

As perguntas são feitas pelo professor Roberto Monteiro Fonseca, Perito Criminal aposentado, que mora em Rio Claro e é coordenador da LIVATI- Liga Independente de Voleibol Adaptado à Terceira Idade.
  • O JORI – Jogos Regionais dos Idosos é realizado pelo Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (idealizador) e pela SELJ- Secretaria de Esportes Lazer e Juventude (executora). A SELJ tem por objetivo a difusão do esporte. Existe em vosso plano de governo algum tópico voltado para a realização de mais competições voltadas para o idoso e realizadas pela SELJ?

  • A modalidade que mais agrega idosos no JORI é o voleibol adaptado. Todos os anos são feitas modificações nas regras, o que atrapalha, e muito, o planejamento e trabalho sério. Há alguma recomendação para o próximo secretário esportes quanto à organização do JORI?

    Toninho Ferreira –  Fazer programas específicos para atividades esportivas é prioridade, até mesmo como prevenção de saúde. Eu defendo que deveríamos dar uma cesta básica para cada idoso que vá fazer atividade física no equipamento do seu bairro. Assim poderá complementar sua alimentação para melhorar seu condicionamento físico. Quem não precisar dessa cesta pode doar e criar um trabalho solidário.

    Quem faz atividade física fica menos doente e se integra mais. Essa deve ser a direção do trabalho. Os torneios e competições serão sempre estimulados, mas como complemento do trabalho. Os torneios não podem ser o objetivo do programa, mas uma atividade que vai mostrar os bons resultados obtidos no trabalho de um ano inteiro.

    Eu só conheço o JORI de nome, nunca acompanhei, não poderia discutir detalhes, mas certamente interessa escutar quem organiza esse trabalho, principalmente dentro do princípio voluntário de fazer acontecer, sem estar visando o lucro.

Pergunta 7 – Lazer para a terceira idade como prevenção de Saúde

A pergunta é feita pela líder comunitária Terezinha Abreu, ex-presidente do GCMI- Grande conselho Municipal do Idoso de São Paulo, coordenadora do Fórum da Pessoa Idosa de Pirituba e Região.

Os idosos precisam de lazer, de diversão e não temos políticas públicas nesse sentido voltadas para os idosos. Infelizmente vem aumentando a depressão e o número de suicídios em pessoas com mais de 70 anos. Como seu mandato irá tratar desse assunto tão importante?

Toninho Ferreira – Não existe preconceito por parte da burguesia e dos grandes empresários com o segmento idoso, nem com qualquer outro que venha a dar lucro. Hoje por exemplo o que está na moda é ser contra a homofobia, porque as paradas LGBT se transformaram num bom negócio, com o comércio vendendo, os hotéis lotados. Vai chegar uma hora que o capitalismo vai investir mais nos idosos.

No nosso sistema socialista defendemos programas com mais qualidade de vida para todas as pessoas. Os idosos por tudo que já contribuíram devem ter prioridade.

Acredito que podemos estimular programas com colônias de férias, que podem ser usados por todos. Viajar faz bem para a saúde e para a socialização e isso deve ter um programa específico do Estado. A atenção do Estado tem que ser para programas de fácil acesso, com qualidade e com o menor custo possível.