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Fórum da Pessoa Idosa da Lapa está sendo reorganizado sob a coordenação da Prof.ª Delia Goldfarb

Rosa Moyses, Claudia Soares, Berel Hofjud, Pedro Aguerre e Delia Catullo, alguns dos membros que estão organizando a retomada do Fórum da Pessoa Idosa da Lapa e Região. Foto: divulgação
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O Fórum da Pessoa Idosa da Lapa, na Região Oeste de São Paulo, está sendo retomado, depois de alguns anos sem atividades regulares.

Com ações importantes no passado, inclusive na construção do Conselho Municipal da Pessoa Idosa de São Paulo, agora está organizando uma nova formação, com pessoas antigas e novas, com a coordenação da Prof.ª Delia Goldfarb.

Entre as primeiras ações já concretizadas está a elaboração do “Manifesto à população da Lapa em defesa da Dignidade da Pessoa Idosa”, que foi subscrito por todos os Fóruns da Pessoa Idosa da capital, além de algumas entidades de defesa dos idosos. 

O documento está sendo entregue nesta semana ao Ministério Público de SP, na Defensoria Pública de SP e ao Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa de SP.

Texto na íntegra do MANIFESTO DA LAPA

MANIFESTO. À POPULAÇÃO DA LAPA EM DEFESA DA DIGNIDADE DA PESSOA IDOSA

Fórum da Pessoa Idosa da Lapa (FPI-LAPA)

O Fórum da Pessoa Idosa da Lapa, movimento social comprometido com a defesa da dignidade humana, da justiça social e do direito ao envelhecimento com respeito, dirige-se aos moradores da Lapa, Alto da Lapa, City Lapa, Bela Aliança, Vila Romana, Jaguaré, Leopoldina e de toda a região oeste da cidade de São Paulo para manifestar profunda preocupação diante da crescente perseguição às Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), conhecidas popularmente como casas de repouso.

O Brasil envelhece rapidamente. São Paulo já possui dezenas de milhares de idosos que dependem diariamente de estruturas permanentes de cuidado, acolhimento, proteção e moradia especializada. Atualmente, estima-se que existam cerca de 1.100 instituições de acolhimento para idosos no município, responsáveis pelo atendimento de aproximadamente 30 mil pessoas. Entretanto, apenas uma parcela mínima dessas vagas é pública ou conveniada pelo poder público.

Isso significa que, na prática, são as famílias, os trabalhadores do cuidado, os profissionais da saúde e as instituições privadas e filantrópicas que sustentam quase toda a rede de proteção da pessoa idosa em São Paulo.

Mesmo diante dessa realidade dramática, assistimos atualmente a tentativas de fechamento, cassação de alvarás e expulsão de casas de repouso da região da Lapa, especialmente da City Lapa, sob argumentos meramente burocráticos e urbanísticos.

Nós afirmamos com clareza: Idoso não é problema urbano. Velhice não é incômodo. Cuidado não é atividade indesejada.
Casa de repouso não é ameaça ao bairro.

As ILPIs não podem ser tratadas como simples estabelecimentos comerciais. Elas são lares. São espaços de moradia, acolhimento, proteção, enfermagem, alimentação, convivência e cuidado contínuo.

Defender a expulsão dessas instituições dos bairros residenciais significa defender o isolamento dos idosos, a segregação social e a invisibilização da velhice. Significa empurrar pessoas fragilizadas para regiões inadequadas, barulhentas e desumanizadas da cidade.

O PI-Lapa defende uma verdadeira Política Pública do Envelhecimento, baseada na dignidade, na convivência comunitária e no direito à cidade.
Defendemos:
* A manutenção e regularização das casas de repouso já existentes na Lapa e em toda São Paulo.
* A criação de políticas permanentes de apoio técnico, sanitário e urbanístico às ILPIs.
* A ampliação urgente da rede pública de acolhimento para idosos.
* A criação de Casas Públicas para Idosos em diferentes modalidades, conforme as necessidades de cada pessoa:
* moradia assistida;
* residência inclusiva;
* centro-dia;
* acolhimento temporário;
* unidades especializadas para demência e Alzheimer;
* moradia supervisionada;
* atendimento paliativo humanizado;
* residências comunitárias de pequeno porte;
* programas Inter geracionais de convivência.
* O fortalecimento do atendimento domiciliar para idosos dependentes.
* A criação de políticas de apoio às famílias cuidadoras.
* A valorização dos trabalhadores do cuidado, enfermagem, fisioterapia, gerontologia e assistência social.
* A defesa de bairros inclusivos, acessíveis e preparados para o envelhecimento da população.

A Constituição Federal e o Estatuto da Pessoa Idosa determinam que é dever do Estado, da família e da sociedade assegurar dignidade, proteção e moradia adequada à pessoa idosa.

Não aceitaremos que interesses imobiliários, preconceitos elitistas ou visões higienistas transformem idosos em “problema de zoneamento”.

Toda sociedade que rejeita seus idosos perde sua própria humanidade.
A Lapa sempre foi um território de solidariedade, diversidade e convivência comunitária. Não permitiremos que a intolerância transforme nossos bairros em espaços de exclusão social. Precisamos construir uma cidade que acolha o envelhecimento com humanidade e responsabilidade.
Porque todos envelheceremos. E a forma como tratamos os idosos hoje definirá a sociedade em que viveremos amanhã.
Fórum PI-Lapa. Em defesa da dignidade, da moradia e do direito de envelhecer com respeito.