Elza Soares aos 82 anos ganhou da UFRGS título de Doutora Honoris Causa

Cantora Elza Soares recebendo o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foto: UFRGS/Anna Ortega
Cantora Elza Soares recebendo o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foto: UFRGS/Anna Ortega

Represento minha avó e bisavó, que foram escravas, disse a cantora Elza Soares ao receber na noite do último domingo, numa sessão solene no Salão de Atos, o título de Doutora Honoris Causa, concedido pela UFRGS- Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tornando-se a primeira artista negra a receber a homenagem no país.

Além de agradecer repetidas vezes pela homenagem, a cantora defendeu a importância do investimento em educação e relembrou momentos marcantes de sua vida — a começar pela vez em que foi ridicularizada ao estrear em um palco. Quase 70 anos depois, as risadas despertadas por sua magreza e pelas roupas mal-ajambradas se transformaram em aplausos e gritos entusiasmados de “doutora”.

Em um bate-papo com o compositor José Miguel Wisnik, após a entrega do diploma pelo reitor  Rui Vicente Oppermann, Elza lembrou de quando se apresentou no show de Ary Barroso, como exemplo das dificuldades que teve de enfrentar como mulher, negra e pobre, para se estabelecer como uma das vozes mais importantes do país. Questionada ironicamente por Barroso de que planeta tinha vindo, respondeu: “Do planeta fome”.

Deram gargalhada de mim, que pesava pouco mais de 30 quilos e usava alfinetes nas roupas. Mas não me importei com aquilo. Cantei, e o Ary Barroso me deu a nota máxima. Ninguém mais deu risada, contou Elza.