Kalache fechou reuniões da Comissão de Saúde da Pessoa Idosa criticando governo federal

Alexandre Kalache participou da última reunião da Comissão da de Saúde da Pessoa Idosa, do Conselho Municipal de Saúde de São Paulo. Foto: jornal3idade.com.br
Alexandre Kalache participou da última reunião da Comissão da de Saúde da Pessoa Idosa, do Conselho Municipal de Saúde de São Paulo. Foto: jornal3idade.com.br

Alexandre Kalache, referência mundial no debate das questões do envelhecimento, fechou os encontros de 2020, da Comissão de Saúde da Pessoa Idosa, do Conselho Municipal de Saúde de São Paulo, participando de uma reunião virtual, no dia 18 de dezembro.

A Comissão de Saúde da Pessoa Idosa é coordenada pelo diretor da APROFE- Associação Pro-Falcemicos- Anemia Falciforme, Nadir Francisco do Amaral.

O médico gerontólogo foi diretor do Programa de Envelhecimento da Organização Mundial da Saúde, em Genebra, no período de 1994 a 2008 e atualmente é diretor do Centro Internacional de Longevidade para o Brasil, sediado no Rio de Janeiro.

Ele chamou a atenção para a importância dos trabalhos dos conselhos e fóruns de idosos, nos diferentes territórios da cidade, como agentes de defesa  do Envelhecimento Ativo, definido pela OMS baseado em quatro pilares.

A saúde é importante, porque mesmo que você tenha todo o dinheiro do mundo no bolso, a qualidade de vida não vai será a mesma sem ela.  A busca do conhecimento tem que ser constante e os idosos não podem deixar ser ultrapassados pela tecnologia. Quem para de aprender torna-se um ser obsoleto rapidamente. O capital social que você acumula na forma de amigos, que estarão com você nos momentos que mais precisar. Isso não vale para ter centenas de seguidores, tem que ser aqueles que você tem olho no olho. O capital financeiro, que nem todos conseguem ter, mas os que tem também devem ter proposito de vida para continuar, disse Kalache.

Sobre a pandemia no Brasil

Se o Brasil tivesse uma população de idosos com as mesmas taxas da Itália ou da Espanha, que ultrapassam 30% dos habitantes de pessoas com mais de 60 anos, o desastre aqui teria sido muito maior. O Brasil com 15% de idosos chegou até hoje a mais de 185 mil mortos. Certamente teria o dobro de perdas de vidas se tivesse a mesma composição etária.

Não posso deixar de culpar a corrupção. A política no meu Estado, no Rio de Janeiro, roubou respiradores e materiais de saúde, montou 7 hospitais de campanha e só colocou um para funcionar e ainda precariamente. É um assassinato tirar dinheiro da saúde, disse Kalache.

Para o médico a pandemia pode servir como um sinal de alarme, para o Brasil acordar para suas grandes deficiências. Lembrou que ainda não há um plano que proteja os idosos vulneráveis e também não acompanhe os jovens.

 Kalache afirmou que 30% dos que morrem da doença no país são jovens, com menos de 60 anos, o que significa que do ponto de vista biológico, de indicadores, essas pessoas cresceram tão mal que se tornaram idosas precocemente. O médico lembrou que o Brasil caiu 5 posições no ranking de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU (Organizações das Nações Unidas), segundo a lista divulgada na terça-feira, 15 de dezembro de 2020.

Combate ao negacionismo da Ciência

A gente só pode combater a pandemia com ciência.  Ciência para prevenção e para o tratamento absolutamente indispensável, falou o presidente do Centro Internacional da Longevidade Brasil, entidade criada por ele em 2012.

Desconhecimento das ILPI- Instituições de Longa Permanência

O Brasil não sabia nada sobre como estava funcionando as ILPI- Instituições de Longa Permanência e como estavam vivendo os seus 300 mil idosos institucionalizados, que são os de maior risco. Precisou a professora, médica geriatra de Belo Horizonte, Karla Giacomin criar a Frente Nacional para Fortalecimento das ILPI, porque o governo federal não teve capacidade de liderar esse trabalho. Ela criou grupos de trabalho em todo o Brasil e hoje o trabalho produzido pela Frente já está na OMS.