A cantora e Deputada Leci Brandão toma a defesa dos idosos na questão dos transportes

Leci Brandão nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1944. É cantora, compositora e umas das mais importantes intérpretes de samba da música popular brasileira. Começou sua carreira musical no início da década de 1970, tornando-se a primeira mulher a participar da ala de compositores da Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro. Ao longo de sua carreira, gravou 25 álbuns, entre eles, três compactos, e 2 DVDs.
Leci Brandão, carioca está radicada em São Paulo desde 2002. Reconhecida como cantora, compositora e umas das mais importantes intérpretes de samba da música popular brasileira ela está criando um trabalho na Alesp, voltado para a defesa dos idosos. Foto: divulgação.

Na quinta-feira passada, 20 de maio, uma audiência pública da Alesp – Assembleia Legislativa de São Paulo, reuniu dezenas de representantes de importantes entidades de defesa dos idosos, para debater a retirada da gratuidade nos transportes públicos das pessoas de 60 a 64 anos. Era um direito que existia para todo o Estado desde 2013 e foi revogado pelo Governador João Dória, nas vésperas do Natal passado.

A iniciativa foi da deputada estadual Leci Brandão (PC do B) que se mostrou indignada com a decisão, que dificultou ainda mais a vida de milhões de idosos, em plena pandemia. Ela disse que vem sendo procurada por muitos idosos, que alegam mais dificuldades, depois que tiveram que pagar pelas passagens.

Ela, carioca, radicada em São Paulo desde 2002, é mais conhecida pelas suas famosas composições que lhe renderam muitas premiações. Na entrevista que concedeu ao Jornal da 3ª Idade, ela contou que seu gabinete pretende ampliar o trabalho nas demandas dos idosos paulistas.

Jornal da 3ª Idade – Quais são os compromissos que a Leci Brandão, deputada, política,  tem de diferente da artista, compositora de tantos sucessos?

Deputada estadual Leci Brandão (PCdoB de SP) – Antes de ser eleita, já no começo da campanha de 2010, eu reuni todas as minhas composições, todos os meus discos para rever nelas os meus compromissos de sempre. Fui procurar o que eu tinha cantado, o que tinha sido criticado. A plataforma da minha campanha foi exemplificando todas as músicas que eu tinha feito. Não teria como fazer uma campanha falando coisas diferentes de tudo que já tinha dito. Essa é a minha história, minha trajetória e isso só reforçou minha conduta.

Jornal da 3ª Idade – No seu depoimento, durante a audiência pública, a senhora contou que não procurou a política, foi procurada. Como isso aconteceu?

Deputada estadual Leci Brandão – Na época eu fui convidada pelo Deputado Orlando Silva e pelo Netinho de Paula. Confesso que resisti muito. Perdi as contas de quantas vezes o Orlando Silva me ligou. Diante da insistência de várias pessoas, resolvi buscar uma resposta espiritual. Tenho muita fé na religião que acredito. A resposta que eu tive é que deveria aceitar o desafio, que seria uma coisa importante para mim e para outras pessoas.

Jornal da 3ª Idade – Qual a sua religião?

Deputada estadual Leci Brandão – Religião de matriz africana. Foi no candomblé, através de uma entidade que tive um aviso. Foi dito que iria retomar a minha carreira, que iria antes viajar e depois teria que aceitar um desafio. Na época nem acreditei, já estava há muito tempo sem gravar. Aconteceu direitinho. Em 1984 recebi um convite para ir cantar em Angola. Em 1985 assinei um contrato com a gravadora Copacabana e a partir daí minha vida foi mudando. São Paulo foi um ponto de partida dessa transformação. As pessoas começaram a me chamar para shows. Em 1988 eu ganhei meu primeiro Disco de Ouro. Quando veio o convite da política, voltei a pedir conselho espiritual e foi confirmado que devia aceitar o desafio porque assim poderia ajudar as pessoas. Então aceitei.

Jornal da 3ª Idade – A senhora pretende atuar na defesa dos idosos? A audiência pública para defender a gratuidade dos transportes para idosos de 60 a 64 anos, confiscada pelo governador João Dória, contou com a presença de muitas entidades importantes.

Deputada estadual Leci Brandão –  Sou muito procurada por todos os segmentos e é engraçado que sempre tem alguma coisa que remete para a música. Gravei um CD intitulado “Somos da Mesma Tribo” e nele tem uma música que fiz com o Alceu Maia, que foi meu produtor durante algum tempo, que se chama Terceira Idade. Essa música é muito pedida por grupos do Brasil inteiro que usam nos seus eventos. Hoje pelo Youtube as pessoas descobrem minhas músicas e passam a pedir. Sou uma compositora intuitiva. Essa audiência pública me deixou bastante emocionada, teve uma presença importante, bastante representativa, com uma boa qualidade.

Jornal da 3ª Idade – Na última eleição só permaneceram 41 deputados e a senhora é a única representante do PC do B. Que peso isso tem na sua atuação?

Deputada estadual Leci Brandão – Nossa atuação não tem nada de grito e é diferente. Sinto que existe um respeito. Na véspera da audiência com os idosos, estive com o pessoal da UNE. Participei em várias atividades deles, em anos anteriores pessoalmente. Desta vez teve que ser uma live. Citei na minha fala final esse encontro, porque acredito que é preciso fazer esse trabalho intergeracional. A UNE tem um compromisso histórico com a democracia e temos que unir essas pontas. O Brasil está anestesiado. Precisamos fazer uma frente ampla. Precisamos unir as pessoas que querem lutar pelo bem. 

Jornal da 3ª Idade – Que tipo de encaminhamento a senhora pretende dar em continuidade a questão da gratuidade nos transportes dos idosos, no Estado de São Paulo?

Deputada estadual Leci Brandão – Estamos fazendo tudo que é possível no sentido de procurar os órgãos que cabem encaminhamento. Como foi um decreto do governador de São Paulo, sabemos que não é uma luta fácil. Essa decisão foi uma traição com os idosos. A imprensa independente nos procura muito, bem como os jovens. Tenho uma assessoria muito competente que transforma as nossas ideias e as propostas que chegam na linguagem e nos trâmites necessários. É uma turma de valor que conheci na campanha. No meu gabinete não tem parente, não tem ninguém da minha família. Nosso gabinete tem nome é o Quilombo da Diversidade. Vamos procurar a OAB, o vice-governador e todo mundo que conseguirmos para levar essa defesa que os idosos precisam e merecem.