Museu Afro Brasil, SP, tem programação especial grátis no Dia da Consciência Negra

O Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, na Zona Sul da capital, em São Paulo, preparou uma programação especial para celebrar o Dia da Consciência Negra, no dia 20 de novembro, com entrada gratuita durante todo o sábado, para todas as exposições e atividades. 

Na marquise haverá apresentações de grupo de chorinho em tributo a Pixinguinha e da Orquestra Performática, além de acesso gratuito às 5 exposições temporárias em cartaz e ao acervo do museu. Normalmente o museu só promove entradas gratuitas apenas às quartas-feiras.

A partir das 12 horas está prevista a apresentação do projeto Pequeno Circo do Choro, que realiza ocupações culturais em espaços públicos de São Paulo. Seus oito integrantes farão uma roda de choro em homenagem a Pixinguinha, um dos maiores compositores da música popular brasileira. O grupo circulará em cortejo musical, partindo da área interna do museu e seguindo até a área externa, convidando o público a sentir a música com o corpo, a dançar e caminhar ao sentimento e embalo do choro, do maxixe, da marcha, do samba, da valsa, entre outras composições do universo de Pixinguinha.

Um pouco antes, às 11h, o educador Wasawulua Daniel trará ao público, também na marquise do Museu Afro Brasil, histórias e brincadeiras originárias da República Democrática do Congo, ensinando danças e canções em lingala e outras línguas da região. Finalmente, às 15h haverá a apresentação da Orquestra Performática, criada em 1981 pelo artista José Roberto Aguilar, como, segundo ele próprio “uma espécie de ícone transgressivo que aconteceu na contracultura daquele momento”. A banda mescla performance musical, poesia, pintura e dança. 

Exposições que poderão ser visitadas

O público que comparecer ao Museu Afro Brasil no Dia da Consciência Negra também poderá conferir, gratuitamente, a exposição temporária “Terra em Transe”, uma mostra que reúne cerca de 600 obras de 60 fotógrafos de todo o país e discute temas viscerais do Brasil, trazendo à tona retratos das injustiças sociais, raciais e políticas. A mostra, que teve uma primeira edição em 2018 durante o Solar Foto Festival, no Ceará, foi atualizada pelo curador Diógenes Moura para sua realização no Museu Afro Brasil, com a adição de temas como as queimadas no Pantanal e na Amazônia, o incêndio na Cinemateca, o desastre ambiental de Brumadinho e a tragédia social do país. Terra em Transe permanecerá em exibição no Museu Afro Brasil até 18 de dezembro.

Os presentes nesta comemoração terão também uma última oportunidade para visitar a exposição de arte e cultura indígenas “Heranças de um Brasil Profundo”, cujo encerramento está previsto para o domingo, dia 21/11. 

Estão ainda em cartaz as exposições “Frida Orupabo” – em correalização com a 34ª Bienal, “Embyra” e “Design e Tecnologia no Tempo da Escravidão”.

A programação especial do museu para o dia 20/11 também inclui, a partir das 11h30, participação em painel temático na I Expo Internacional da Consciência Negra. O painel contará com representantes do Museu Afro Brasil e do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana de Washington e discutirá as conquistas e desafios na preservação da cultura preta como instrumento de combate ao racismo estrutural no Brasil e nos EUA. 

“O 20 de novembro é uma data significativa para a consciência de todos, brancos e pretos desse país. Nesse dia, vamos homenagear o grande músico Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, com um espetáculo de choro. Teremos também José Roberto Aguilar e sua Orquestra Performática, formada por 14 músicos, que trará ao Museu Afro Brasil sua música contemporânea, nova e brasileira. Esperamos que o público venha celebrar conosco a magnitude dessa data inclusiva, no momento em que a desigualdade e o racismo ainda são uma grave doença nacional”. , afirma o artista plástico Emanoel Araújo, diretor do Museu Afro Brasil.

Sobre o Museu Afro Brasil

O Museu Afro Brasil, localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do Parque Ibirapuera, conserva, em 11 mil m², mais de 8 mil obras que compõem seu acervo museológico, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias e peças etnológicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidas entre o século XVIII e os dias de hoje, além de documentos e publicações. O acervo abarca diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiros, abordando temas como a religião, o trabalho, a arte, a escravidão, entre outros, registrando a trajetória histórica e as influências dos africanos e seus descendentes na construção da sociedade brasileira.

Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do seu atual Diretor Curatorial, Emanoel Araujo, o Museu construiu, ao longo de mais de 17 anos de história, uma trajetória de contribuições decisivas para a valorização do universo cultural brasileiro ao colocar em primeiro plano a presença e a contribuição do negro na formação cultural do Brasil. 

O Museu exibe parte do seu acervo na Exposição de Longa Duração, realiza exposições temporárias, além de atividades culturais e educativas. Dispõe ainda de um auditório e de uma biblioteca especializada.