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Entrevista com o cineasta e produtor Daniel Gaggini, idealizador do “Festival Cine Inclusão 60+”, que em em 2026 será de 20 a 27 de setembro em três cidades

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O 6º Festival Cine Inclusão 60+  começa no próximo domingo, dia 20, e até 27 de setembro estará acontecendo nas cidades de São Paulo, Santos e Campinas, sempre com entradas gratuitas.

A abertura do festival, que é o primeiro do país voltado exclusivamente para debater o envelhecimento e a representatividade 60+ nas telonas, será no Espaço Petrobras de Cinema, na Rua Augusta, 1475.

O seu idealizador é Daniel Gaggini, paulistano, criado no Jardim Miriam, na Zona Sul de São Paulo, que, aos 16 anos, como ator, embarcou com o grupo Os Satyros para apresentações na Europa. A experiência fora do país, ainda muito jovem, despertou o talento de produtor cultural, que acabou se transformando na sua principal atividade nos últimos trinta anos.

Desde 2009, criou o Festival Cine Favela, em parceria com a Associação Cine Favela, a primeira a criar um cinema dentro de uma comunidade.

Jornal da 3ª Idade Quando e por que, nasceu a vontade de criar um festival para colocar nas telonas os 60+?

Daniel Gaggini, Festival Cine Inclusão 60+A vontade de fazer um festival 60+ foi da nossa observação da falta de representatividade da pessoa idosa na tela e por trás da tela. Descobrimos que existia uma produção realizada por profissionais 60+, amadores e profissionais que não tinham espaço de exibição. Principalmente a produção amadora. Um cineasta 60+ pode fazer seu primeiro curta, mas a sociedade ainda enxerga que o curta-metragem é feito por jovens. Então foi a ideia de abrir espaço para que os artistas 60+ pudessem expor e difundir as suas obras. O nosso festival foca exatamente nisso. 

Jornal da 3ª Idade O que a 6ª Edição tráz de diferente das cinco anteriores?

Daniel Gaggini, Festival Cine Inclusão 60+ – Nesta 6ª edição, o festival chega a mais uma cidade: Santos, emblemática para as pessoas idosas, que durante muito tempo foi a “Flórida brasileira”. Durante muitos anos, muitas pessoas de São Paulo queriam, ao se aposentar, ir viver em Santos. Chegamos em Santos e, com isso, ampliamos mais uma cidade. Agora o Festival Cine 60+ está presente na capital, no interior e no litoral. 

Também trazemos de novidade uma oficina de roteiros. Já temos um concurso de roteiro que este ano chegou à sua 3ª edição. Achamos necessário trocar saberes com pessoas que talvez não sejam ainda profissionais e gostariam de ter seus trabalhos escritos no nosso concurso de roteiro. Então, nós demos aulas a estas pessoas.

Também é novidade a mostra internacional com filmes do Japão, do Peru, da Inglaterra, dos Estados Unidos, que também não tínhamos na edição passada.

Teremos o que estamos chamando de cerejinhas do bolo: na Casa de Francisco, uma sessão comentada com a jornalista Patrícia Palumbo, falando de música, cinema, arte e poesia. O fórum que vai discutir a mulher 60+ no audiovisual.

Temos mais uma novidade: José Roberto Aguilar, um dos artistas plásticos mais importantes do Brasil, criou especialmente para o nosso festival um troféu.

Jornal da 3ª Idade – O que as oficinas oferecidas pelo Festival, com grupos de terceira idade nos NCIs, ofereceram para as pessoas idosas? No que você sente que elas contribuíram para a vida dessas pessoas?

Daniel Gaggini, Festival Cine Inclusão 60+Em 2026, foram sete oficinas de Cinema 60+, totalizando 175 pessoas idosas beneficiadas. As oficinas aconteceram em São Paulo, nos distritos de Cidade Tiradentes, Capão Redondo, Campo Limpo, Guaianazes e Heliópolis. Em Santos, na região central e em Campinas, no Jardim Samambaia.

Nossas oficinas sempre beneficiam territórios periféricos,  com o objetivo de simplesmente ser uma ferramenta. Usamos o celular como ferramenta de comunicação, para que essas pessoas idosas possam botar para fora os seus sonhos, os seus desejos e as suas histórias. Fazemos isso de forma coletiva. Temos uma coordenadora, que é a Eugênia Sessim, que, a partir dos sonhos de cada um desses participantes, constrói este filme coletivo.

Até o ano passado, fazíamos um curta-metragem por oficina. Este ano fizemos diferente,  um média-metragem. Vamos pegar todos os filmes realizados e fazer um filme único a ser exibido no dia 29  de setembro. Então, acho que a gente possibilita que essas pessoas idosas, que vivem em territórios periféricos, possam tirar os seus sonhos, pelo menos da cabeça, e colocá-los no audiovisual, utilizando o celular como ferramenta.

Jornal da 3ª Idade O que o segmento de cinema e do audiovisual em geral precisa para falar mais sobre as questões do envelhecimento?

Daniel Gaggini, Festival Cine Inclusão 60+ O segmento audiovisual tem que olhar mais para a atualidade. A sociedade está envelhecendo e isso tem que fazer parte do nosso cotidiano e das nossas histórias. É isso que colocamos em foco. Temos que ter  um novo olhar sobre o envelhecimento, sem o olhar caricato do velhinho com a bengalinha, da senhorinha fazendo crochê. O mundo mudou e o audiovisual tem que acompanhar esta mudança. Cada vez mais a pessoa idosa na tela,não só como personagem, como protagonista de uma história, mas por trás dela também, com técnicos e profissionais. Uma pessoa de 60 anos é uma pessoa jovial, que tem muito ainda a contribuir dentro da sua profissão. Temos que dar mais espaço para esses profissionais dentro de um set, dentro de uma produção.

Jornal da 3ª IdadeO que você mais aprendeu em relação à terceira idade nesses seis anos do Festival?

Daniel Gaggini, Festival Cine Inclusão 60+ O que aprendi em todas essas edições do Festival é admirar esse trabalho feito pelos artistas 60+ que não encontravam espaço de difusão. Existe um espaço muito grande; os artistas 60+ fazem roteiro, fazem filme e fico feliz de o Festival Cine Inclusão 60+ dar espaço para toda essa energia.

Programação 6ª Edição do Cine Inclusão