Falar sobre a realidade de convívio normal com uma pessoa infectada com o HIV (o vírus causador da AIDS) ainda é um tabu para a maioria das pessoas da terceira idade.
Para ajudar a desmistificar conceitos ultrapassados e apresentar profissionais que trabalham diretamente com os novos tratamentos, o Fórum da Pessoa Idosa da Vila Mariana, Saúde e Moema fez a sua última reunião, no dia 14 de maio, na sede do Centro de Referência CRT/DST-SP, no bairro da Saúde.
O CRT é estadual, atende cerca de 8 mil pessoas por mês, com uma equipe multiprofissional com 120 funcionários. Funciona no sistema de porta aberta, quando o acesso é livre e imediato, sem a necessidade de agendamento prévio. A testagem de HIV e ISTs, orientação e aconselhamento; Profilaxia e Pós-Exposição (PEP) são imediatos quando procurados. Somente os casos mais complexos precisam de encaminhamento. Na porta do prédio tem uma testagem na hora, para qualquer pessoa, de qualquer idade. Existe hoje 77.425 pessoas 50+ com HIV em São Paulo.
“As pessoas precisam se informar para saber que a questão do HIV mudou muito. Antes quando alguém recebia um diagnóstico, além da questão do preconceito, a pessoa recebia uma sentença de morte, porque não tinham exames, não tinham tratamentos. Hoje quem tem um diagnóstico de HIV e faz o tratamento de forma correta vai ter uma expectativa de vida muito próxima da população em geral. Como a pessoa está sempre sendo monitorada, fazendo exames constantes, também está controlando a diabetes, a hipertensão e outras comorbidades e as vezes consegue uma qualidade de vida melhor, do que os demais que vão sempre deixando os exames para depois”, explicou a assistente social do CRT, Maria Aparecida Silva, que fez a primeira apresentação.
Qualquer pessoa pode ter HIV. A doença não escolhe sexo nem idade. A doença pode ficar 10 anos sem dar sintoma. Como as pessoas mais velhas estão mais ativas, também precisam se preocupar em fazer a testagem. Quanto mais cedo se descobrir, melhor será o tratamento. Essa também é uma preocupação que deve estar no dia a dia dos profissionais de saúde, quando forem fechar o diagnóstico de uma pessoa idosa.
Chegar aos 70 ou 80 anos ativa é uma conquista para a população em geral, imagina então para para uma pessoa que vive com HIV. É um presente. O problema do doente que alcançou a terceira idade é que ele se isolou lá atrás, quando recebeu o diagnóstico e sofreu preconceitos. Temos hoje duas realidades que precisam ser trabalhadas pelas redes de apoio: à pessoa idosa que mora sozinha vivendo com HIV e a necessidade de testagem. As pessoas idosas continuam fazendo sexo e por isso podem contrair a doença numa única relação, falou a médica infectologista Rosa Alencar, diretora CRT, que na sua palestra apresentou o funcionamento do Programa IST/Aids em São Paulo.
Durante a reunião, duas pessoas idosas, portadoras de HIV/Aid há décadas prestaram seu depoimento sobre a importância do acompanhamento que recebem nas atividades extra medicamentos.