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Missa na Igreja N. Srª do Rosário celebrou os 33 anos do Mariama, o primeiro grupo da terceira idade negra de SP

 

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Uma missa na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, celebrada ontem pelo Padre Luiz Fernando de Oliveira, comemorou o aniversário do Grupo Mariama, fundado em 7 de julho de 1993, por lideranças do movimento negro paulistano que sentiam falta de representação nos grupos de terceira idade da época.

Nenhum dos idosos fundadores, que se reuniram numa sala do então Conselho Estadual da Comunidade Negra, na Rua Antônio de Godoy, está vivo, mas filhas e sobrinhas continuam acompanhando o Mariama.

Na liturgia, coube a Dona Cida, a professora de música Maria Apparecida Amaral da Silva – que há pouco mais de um mês completou 97 anos – contar a história desse coletivo que resiste em não acabar. Ela, que só entrou no Mariama em 1995, saudou pessoas que ajudaram na sua construção e as que estão colaborando atualmente. Relembrou o apogeu do grupo, quando tinham um núcleo voltado para a dança-afro, um coral e um trabalho de pintura, também com motivos africanos.

Em uma entrevista exclusiva ao Jornal da 3ª Idade, em 2022, Dona Cida explicou mais sobre o importante legado do Mariama.

“….O Mariama começou porque várias pessoas sentiam a necessidade de um grupo de terceira idade que falasse das suas necessidades no envelhecimento. A Norma era a presidente e o senhor Expedido era o vice-presidente. 

… Naquela época, fez muita diferença, principalmente para as mulheres. Os homens sempre foram poucos. A maioria das mulheres que começaram a frequentar, naquela época, eram antigas cozinheiras, faxineiras, pessoas que tinham trabalhado em casas de famílias brancas e que continuavam muito tímidas em relação ao seu espaço. Elas tinham que trabalhar a autoestima. Era muito comum, num grupo de diferentes pessoas, elas se colocarem atrás, afastadas, porque essa tinha sido a sua história de vida. 

… No grupo, elas passaram a fazer dança-afro e a participar de oficinas de pintura com a Zulmira. O grupo começou a viajar, a ir para festas no Interior, a frequentar hotéis, a oferecer oportunidades que a maioria nunca tinha nem sonhado.

… Embora o momento seja diferente, ainda justifica um grupo de mulheres negras. Os jovens conquistaram muitos espaços e ainda têm muitos outros para ocupar, mas os mais velhos têm suas próprias demandas. É diferente chegar a um grupo para expor nossos lamentos familiares. Existem muitas questões que são particulares do envelhecimento dos negros. Mesmo a Irmandade do Rosário, criada na primeira metade do século XIX, que resiste na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu, só tem velhos, muitos já doentes. Precisamos que os jovens se interessem para não deixar morrer essa parte importante da nossa ancestralidade”, declarou Dona Cida.

O Grupo Mariama se reúne atualmente na sede do Instituto Gera, na Rua Benjamin Constant, 153, ao lado da Praça da Sé.

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