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A festa de 97 anos da Dona Cida foi uma oferenda à amizade, aos mais velhos e ao respeito às diferenças

 

Festa de 97 anos da Dona Cida, no salão da União Fraterna, na Lapa de S. Paulo.
por Hermínia Brandão

Dona Cida, professora de música, Dona Cida do Mariama, Dona Cida da Gaviões da Fiel, Dona Cida do Samba, Dona Cida da Bateria da Terceira Idade, Dona Cida, mãe de quatro filhos, quatro netos e uma bisneta.

Quantas cabem numa Dona Cida de 97 anos de vida?

Quero reverenciar todas elas e também aquela que só a família conhece, a mais íntima, que só cabe a ela mesma cultivar e que, depois de mais de nove décadas, continua com sonhos e projetos.

A festa de ontem à noite, sábado 13 de junho, no salão da União Fraterna, na Lapa de São Paulo, foi linda!

Gente de várias cores, de várias turmas, de vários segmentos. Gente de várias crenças, algumas que sabiam que ontem também era Santo Antônio, o de Pemba ou de Ogum, ou de quem não crê. Também tinham seguidores de vários partidos, mas todos estavam irmanados num só: o partido-alto.

A cantora e puxadora da roda de samba, com alguns personagens do melhor do samba paulistano, estava demais! Desculpem os mestres, mas hoje o único nome é Dona Cida.

Foi de arrepiar quando todos no salão cantaram a uma só voz “Encontros e Despedidas”.

Tem gente que chega pra ficar

Tem gente que vai pra nunca mais

Tem gente que veio só olhar  

Os que saborearam a deliciosa feijoada, comeram docinhos e conseguiram pegar o potinho de bolo, não se enganem: foi mais do que comida de festa. Foi uma oferenda! À amizade, aos mais velhos, aos antepassados e ao respeito às nossas diferenças. Que bom seria que todos os dias pudéssemos conviver nessa harmonia! 

Já estou esperando o convite da festa de 98 anos.

Viva Dona Cida!